Parada do Orgulho em Brasília une festa e protesto por direitos na Esplanada
Com o tema "Jovem, LGBT, Periferia, Orgulho", evento reuniu milhares de pessoas e contou com shows de Irmãs de Pau, Grag Queen e MC Carol.

Uma mistura de festa, visibilidade e protesto tomou conta da Esplanada dos Ministérios no último domingo (6), durante a 26ª edição da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Brasília. Com o tema “Jovem, LGBT, Periferia, Orgulho”, o evento reuniu milhares de pessoas que, embaladas por oito trios elétricos, celebraram a diversidade e cobraram ações do poder público.
A marcha, que começou a se concentrar às 14h em frente ao Congresso Nacional, foi um palco de manifestações políticas e culturais. Artistas como Grag Queen, MC Carol, MC Naninha e Irmãs de Pau comandaram os trios e animaram o público, que coloriu o coração de Brasília. A deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) foi uma das presenças mais ovacionadas. Em seu discurso, a parlamentar reforçou a resiliência da comunidade: “Nós não somos só estatística, somos a força, a garra e a resiliência. A comunidade nunca recuará na luta”, afirmou.
Apesar do clima festivo, a Parada manteve seu caráter de luta. Ocupar a Esplanada foi um ato simbólico, como destacou o servidor público Vicente de Paula, 54 anos. “Estamos aqui para celebrar quem somos, mas também para mostrar para esse Congresso Nacional muito conservador que a gente não vai voltar para o armário”, disse. “A nossa forma de manifestar é por meio da alegria, da diversão, da música, para dizer que existimos”.

Movimento cobra criação de Conselho e regulamentação de lei
Em meio à celebração, organizações da sociedade civil aproveitaram a visibilidade do evento para cobrar ações concretas do Governo do Distrito Federal (GDF). O coletivo Estruturação, um dos mais antigos de Brasília, reivindicou a criação imediata do Conselho Distrital LGBTQIA+ e a efetiva regulamentação da Lei Maninha (Lei nº 2.615/2000), que prevê sanções contra a LGBTfobia, mas que, segundo ativistas, segue sem aplicação prática há mais de duas décadas.

Michel Platini, presidente do grupo, criticou a falta de diálogo com o governo local, afirmando que a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF) rompeu as discussões com o movimento. “A Coordenação LGBT+ da SEJUS não dialoga, não articula, não constrói políticas públicas com o movimento. É uma instância esvaziada de legitimidade”, declarou o coletivo em nota. Procuradas, a Sejus e a Coordenação não se manifestaram até o fechamento desta reportagem.
A Parada de 2025 reafirmou sua dupla função: ser um espaço seguro de celebração e, ao mesmo tempo, uma poderosa plataforma política para exigir que a dignidade e a cidadania plena da comunidade LGBTQIA+ sejam, de fato, garantidas.












