Em discursos na Parada de Taguatinga, Erika Kokay e líderes LGBTQIA+ rechaçam anistia a golpistas e defendem democracia
Deputada federal destaca a comunidade como força fundamental na defesa do Estado Democrático de Direito e na luta por direitos, ao lado de Fábio Félix, Ruth Venceremos, Michel Platini e Pikineia.

A 18ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Taguatinga, realizada no último domingo (21), na Praça do Relógio, não foi apenas uma celebração da diversidade, mas um palco para a defesa contundente da democracia e a reafirmação dos direitos da comunidade. Em uma série de discursos inflamados, lideranças políticas e ativistas criticaram a proposta de anistia a golpistas e a chamada “PEC da bandidagem”, conclamando o público à luta.
A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) foi uma das vozes mais enfáticas, sendo recebida com grande entusiasmo pela multidão. Em sua fala, Kokay destacou o papel crucial da comunidade LGBTQIA+ na defesa do Estado Democrático de Direito e contra a extrema direita. “A comunidade LGBT quem tem a massa ela arrancou a faixa presidencial do peito estufado do fascismo”, afirmou. A parlamentar ressaltou a importância da democracia para a construção de direitos e o fortalecimento do amor e afeto. Ela também celebrou a resistência no parlamento contra projetos como a “escola amorçada” e o “estatuto da família” que buscam restringir o conceito de família. “Não se pode interditar o nome do amor”, declarou.
Michel Platini, ativista e presidente do Grupo Estruturação, abriu a série de discursos com um alerta sobre a “PEC da bandidagem”, que ele classificou como “PEC da impunidade”. Platini explicou que a proposta visa blindar parlamentares contra processos e prisões, e convocou a comunidade a rejeitar tanto a PEC quanto a anistia para golpistas. Ele lembrou as conquistas da comunidade, como a despatologização das identidades trans, o direito ao casamento e a criminalização da LGBTfobia, reforçando que a união do movimento é capaz de promover a revolução. Platini também criticou o governo pela manutenção do “nome morto” em carteiras de identidade para pessoas trans e pela resolução do CFM que restringe o acesso a bloqueadores hormonais.
O deputado distrital Fábio Félix (PSOL-DF), o mais votado da história do Distrito Federal, enalteceu a Parada como um marco na luta por direitos e a importância de ocupar os espaços públicos. Félix fez um apelo à continuidade da mobilização popular contra o retrocesso dos direitos civis e humanos, ecoando as críticas à “PEC da bandidagem” e à anistia. Ele ressaltou a necessidade de eleger mais representantes LGBTQIA+ para o Congresso Nacional para combater o fascismo e o golpismo.
A ativista Ruth Venceremos reforçou a coragem da comunidade em ocupar as ruas em defesa da democracia e contra a “PEC da bandidagem”, que ela também classificou como “PEC da blindagem, mas da bandidagem”. Venceremos frisou a necessidade de dar uma resposta ao Congresso Nacional, que, segundo ela, “não tem uma só lei pró a comunidade”.
A drag queen e ativista Pikineia celebrou a “Parada mais amozinho do DF” e também se manifestou contra a “PEC da bandidagem”, afirmando que “essa PEC da bandidagem vai cair porque a gente tá unido para isso”.
Todos os discursos convergiram para a importância da união e da persistência da comunidade LGBTQIA+ na luta por um país mais justo, igualitário e democrático, onde o amor e a diversidade possam florescer sem repressão.





