Espírito Santo

Menina trans de 13 anos é agredida e queimada em Vitória; família suspeita de transfobia

Jovem foi socorrida em estado grave por motorista de aplicativo após ser atacada no meio da rua. Caso é investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente e ninguém foi preso até o momento.

Menina de 13 anos é queimada, agredida e internada em estado grave em Vitória, Espírito Santo. (Foto: Reprodução/TV Gazeta)
Menina de 13 anos é queimada, agredida e internada em estado grave em Vitória, Espírito Santo. (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Uma adolescente trans de apenas 13 anos está internada em estado grave após ser vítima de um ataque brutal em Guarapari, na Região Metropolitana de Vitória. A jovem foi agredida e teve o corpo queimado no meio da rua. Segundo relatos de familiares, uma das principais linhas de suspeita é que o crime tenha sido motivado por transfobia.

Devido à gravidade das queimaduras, que atingiram o rosto e diversas partes do corpo, a menina não tem previsão de alta e segue sob cuidados médicos intensivos, permanecendo sedada para suportar a dor.

Socorro e Estado de Saúde

De acordo com o Boletim de Ocorrência da Polícia Militar, a adolescente foi encontrada caída no chão, sozinha, apresentando ferimentos severos. Um motorista de aplicativo que passava pelo bairro prestou os primeiros socorros e a conduziu ao Hospital Antônio Bezerra de Farias, em Vila Velha.

Posteriormente, devido à complexidade do quadro clínico, a vítima foi transferida para o Hospital Infantil de Vitória. Segundo uma tia da garota, ela está com ataduras cobrindo quase todo o corpo e só consegue dormir à base de medicação forte.

Dinâmica do Crime

A adolescente relatou a uma familiar, ainda no hospital, que o ataque ocorreu no dia 10 de dezembro, no bairro Village do Sol.

“Ela fala que levaram ela para uma rua escura e bateram muito nela, e depois atearam fogo. Tinha uma mulher por perto e uma mulher jogou uma vasilha de água nela, e ela saiu correndo, gritando pedindo ajuda”, narrou a tia, que preferiu não se identificar.

A vítima mencionou a presença de homens durante o espancamento, mas, devido ao trauma e ao medo, não conseguiu precisar a quantidade de agressores. “Ela chegou a relatar alguma coisa sobre transfobia, mas a gente não sabe verdadeiramente o que é. Ela está com muito medo e dá várias versões sobre o que aconteceu. A gente quer justiça, não pode ficar impune”, completou a tia.

Investigação e Contexto

Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente em Vitória, Espírito Santo, investiga o caso. (Foto: Reprodução/TV Gazeta)
Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente em Vitória, Espírito Santo, investiga o caso. (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

A mãe da adolescente revelou que, antes do desaparecimento, a filha havia se envolvido em um incidente relacionado ao furto de um celular de um homem em Vitória. No entanto, a mãe afirma que a situação foi resolvida imediatamente pela família.

“Ela tinha acabado de vir da casa do homem, tinha furtado o celular. Aí ela chegou na minha porta, me deu o celular e eu entreguei na mesma hora”, explicou a mãe. Após esse episódio, a menina sumiu de casa, o que levou a mãe a registrar um Boletim de Ocorrência por desaparecimento. “Hoje, ver minha filha do jeito que ela está, é revoltante”, desabafou.

O caso foi registrado na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). A Polícia Civil investiga a autoria e a motivação do crime. Até a última atualização desta reportagem, ninguém havia sido preso.

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