Anvisa aprova Lenacapavir: Conheça a injeção semestral que revoluciona a prevenção do HIV
Medicamento aplicado a cada seis meses promete transformar a adesão à PrEP; especialista explica funcionamento, público-alvo e o desafio da incorporação ao SUS.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo e promissor aliado no combate ao HIV: o Lenacapavir. Trata-se de um medicamento injetável de aplicação semestral indicado tanto para a profilaxia pré-exposição (PrEP) quanto para o tratamento de pessoas que já vivem com o vírus.
O médico infectologista e pesquisador da USP, Rico Vasconcelos, classifica a aprovação como uma “revolução” na prevenção. Segundo o especialista, o método supera a barreira da adesão, um dos maiores desafios do uso de comprimidos diários ou do preservativo em todas as relações.
Prevenção a cada seis meses: Como funciona?
Diferente das vacinas, que estimulam o sistema imunológico, o Lenacapavir é um antirretroviral que atua diretamente no organismo para impedir a replicação do vírus. Sua principal vantagem é a conveniência: uma única aplicação protege o indivíduo por seis meses.
O registro concedido pela Anvisa autoriza o uso do medicamento para o seguinte público:
- Idade: Adolescentes e adultos com 15 anos ou mais.
- Peso: Pessoas com no mínimo 35 kg.
- Finalidade: Prevenção (PrEP) e tratamento do HIV.
O desafio do preço e a chegada ao SUS
Embora a aprovação técnica pela Anvisa seja um passo fundamental, ela não garante a disponibilidade imediata no Sistema Único de Saúde (SUS) ou em farmácias. O médico ressalta que o Lenacapavir é um medicamento de alto custo em países como os Estados Unidos, o que impõe um dilema comercial.
“Agora é a hora da negociação comercial para saber de que maneira essa revolução poderá chegar ao Brasil”, explicou Vasconcelos, destacando que a incorporação ao sistema público dependerá de acordos de preços entre o Ministério da Saúde e a fabricante.
Combate ao estigma e à “Sorofobia”
Rico Vasconcelos também alerta para necessidade de desmistificar quem pode contrair o vírus. Ele reforçou que o HIV não é restrito à comunidade LGBTQIA+, afetando qualquer pessoa com vida sexual ativa.
O infectologista alertou para a sorofobia — o estigma e preconceito contra pessoas que vivem com HIV —, apontando-a como o principal obstáculo para o diagnóstico e tratamento eficaz no país. “O HIV é um vírus fácil de prevenir, diagnosticar e tratar. Só não conseguimos zerar os casos por causa do estigma”, concluiu.





