“Combinaram de nos matar, mas a gente se organizou para viver”: CLDF celebra visibilidade Trans
Solenidade promovida pelo deputado Fábio Felix destaca avanços legislativos no DF e reforça a luta por orçamento e dignidade para a população trans.

Nesta quarta-feira (11), a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) foi palco de uma sessão solene em alusão ao Dia Nacional da Visibilidade Trans — celebrado oficialmente em 29 de janeiro. O evento, de autoria do deputado Fábio Felix (PSOL), reuniu lideranças, ativistas e autoridades para um balanço das vitórias recentes e dos desafios que a comunidade trans ainda enfrenta em Brasília.
O tom da cerimônia foi dado pela frase impactante do ativista Lam Matos:
“Combinaram de nos matar, mas a gente se organizou e combinou de se manter vivo. E isso tem funcionado.”
Avanços Históricos no Distrito Federal
O deputado Fábio Felix relembrou o cenário hostil do início dos anos 2000 para traçar um paralelo com as conquistas atuais. “Quando eu saí do armário, não tinha casamento igualitário, identidade de gênero reconhecida no Brasil, nem criminalização da homotransfobia”, comparou o parlamentar, enfatizando que o protagonismo da comunidade foi o motor dessas mudanças.
Durante a solenidade, foram destacadas vitórias legislativas e sociais fundamentais para a dignidade da população trans no DF:
- Retificação de Documentos: A Lei Complementar 1.024/2023 garante a gratuidade para a mudança de nome, sexo ou gênero em documentos de identidade.
- Saúde Especializada: O fortalecimento do Ambulatório Trans, unidade da Secretaria de Saúde voltada ao atendimento específico de travestis e transexuais.
- Lei Victoria Jugnet (Lei 6.804/2021): Reconhecimento da identidade de gênero post mortem, permitindo o uso do nome social em lápides e certidões de óbito.
- Concursos Públicos: Garantia do uso do nome social em certames do DF através da Lei 6.503/2020.
- Representação Institucional: Criação do Conselho Distrital de Proteção e Promoção de Direitos (CDLGBTI) via Lei 7.824/2025.
- Visibilidade em Dados: Inclusão de perguntas sobre identidade de gênero na PDAD-DF e estudos do IPEDF sobre LGBTfobia nas escolas.
Além da Lei: A Luta por Orçamento e Espaço

Apesar das celebrações, o debate reforçou que a existência da lei, por si só, não basta. O deputado distrital Max Maciel (PSOL) pontuou a necessidade de recursos financeiros para tirar os direitos do papel. “A agenda trans precisa do orçamento das cidades. Precisamos garantir que ela esteja na centralidade orçamentária também”, afirmou.
A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) também marcou presença, celebrando as cotas para pessoas trans na UnBe a representatividade no Congresso Nacional com as deputadas Erika Hilton e Duda Salabert. “Já houve muitos avanços, ainda insuficientes para que possamos ter de fato uma sociedade democrática em que caiba todo mundo”, analisou Kokay.
Dignidade como Direito, não como Sorte
O encerramento da sessão foi marcado por pedidos de respeito e sobrevivência. Leonardo Luiz, da Associação TRAfeminista (Trafem), resumiu o sentimento de urgência da comunidade: “Eu não quero ser lembrado como alguém que apenas sobreviveu. Quero que a dignidade trans seja lei, e não sorte”.
A ativista Kiki Kleim reforçou o coro pela resistência: “Estamos aqui para viver. A gente tem o direito de ser livre”. Ao final, a CLDF entregou moções de louvor a personalidades que se destacam na defesa dos direitos humanos no Distrito Federal.





