Deputado Fábio Félix é atingido por spray de pimenta pela PMDF em bloco LGBTQIA+
Parlamentar tentava mediar a detenção de Dayse Hansa, coordenadora do bloco Rebu, quando sofreu a agressão no Setor Comercial Sul. Ação levanta debate sobre truculência policial no Carnaval.

A tarde desta segunda-feira (16/2) de Carnaval no Setor Comercial Sul, em Brasília, foi marcada por um episódio de violência envolvendo a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). O deputado distrital Fábio Félix, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa (CLDF), foi atingido no rosto por um jato de spray de pimenta disparado por um policial militar.
A agressão ocorreu enquanto o parlamentar tentava mediar a detenção de Dayse Hansa, coordenadora do Bloco Rebu— um dos mais tradicionais espaços de celebração e resistência da comunidade lésbica e LGBTQIA+ da capital.
Prisão Arbitrária e Falta de Diálogo
Segundo apurações, o tumulto teve início por causa de um problema durante a revista do público na entrada do bloco. Dayse Hansa teria intervindo na situação, momento em que foi detida pelos policiais e colocada na viatura.
Acionado pela equipe do evento, Fábio Félix dirigiu-se ao local para entender o ocorrido. O parlamentar afirma que se identificou e tentou estabelecer um diálogo pacífico, mas a recepção da corporação foi hostil.
“Me falaram que a coordenadora estava sendo levada e eu vim entender o que estava acontecendo. Eu me apresentei, disse que era deputado e presidente da Comissão de Direitos Humanos, e pedi para conversar. Eles já estavam gritando, super agressivos. Um dos policiais foi grosseiro e jogou spray de pimenta na minha cara de forma desrespeitosa”, relatou Félix.
O deputado destacou que não recebeu nenhuma justificativa formal para a prisão da coordenadora. Informações preliminares de testemunhas apontam que Dayse estaria gravando a abordagem policial antes de ser conduzida.
“Desrespeitado como nunca fui”
Após ser atingido pelo spray, o parlamentar entrou em contato imediato com a comandante-geral da PMDF, Ana Paula Habka. Em ligação, ele expressou sua indignação com a truculência da abordagem: “Eu estou me sentindo gravemente desrespeitado como eu nunca fui em oito anos como deputado”.
Nas redes sociais, Fábio Félix classificou a ação como um absurdo e denunciou a violência policial. O episódio gerou rápida repercussão, levantando alertas sobre o uso do autoritarismo como protocolo contra defensores de direitos humanos e contra a população LGBTQIA+ em espaços de cultura.
O deputado garantiu que o caso não passará impune e será levado formalmente ao Comando-Geral da PMDF e à Secretaria de Segurança Pública. “É inadmissível a forma como a polícia trata os foliões na capital do país. Queremos um Carnaval seguro e sem violações”, cobrou.
Até o fechamento desta reportagem, a Polícia Militar não havia emitido nota oficial respondendo às acusações ou explicando os motivos da prisão da coordenadora do Bloco Rebu.






