
O cenário dos influenciadores digitais voltou a pegar fogo nas redes sociais após a nova prisão preventiva da advogada e criadora de conteúdo Deolane Bezerra. A investigação, que aponta suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas a movimentações financeiras de plataformas de apostas, desencadeou um forte embate público entre o vencedor de A Fazenda 13, Rico Melquíades, e a jornalista e ativista política Leonora Áquilla.
A discussão começou quando Rico Melquíades utilizou seus perfis para sair em defesa de Deolane. Em seu posicionamento, o influenciador afirmou que o Brasil vive um momento de “papéis invertidos”, sugerindo que a prisão de grandes figuras da internet estaria sendo utilizada como uma manobra com repercussão nacional em período eleitoral, minimizando as acusações e transferindo o foco para os bastidores políticos.
O contra-ataque de Leonora Áquilla
A fala de Rico não passou despercebida. Leonora Áquilla rebateu publicamente os argumentos do alagoano, trazendo para o debate a gravidade das investigações conduzidas pelas autoridades policiais. Leonora questionou a origem das fortunas exibidas na internet e criticou abertamente a promoção desenfreada de jogos de azar — como o popular “jogo do tigrinho” e outras plataformas de apostas (bets) —, apontando o impacto socioeconômico devastador que o vício em jogos causa em milhares de famílias brasileiras.
Rico Melquíades reagiu de forma irônica ao posicionamento da jornalista, desdenhando de sua atuação política e rebatendo que os jogos de apostas atualmente passam por processos de regulamentação no país. Ele argumentou que as críticas deveriam ser direcionadas aos parlamentares que legislam sobre o tema, e não aos influenciadores que realizam a publicidade das plataformas.
A tréplica de Leonora elevou o tom da discussão. A ativista acusou Rico de falta de consciência de classe e o desafiou publicamente para um confronto verbal face a face, sugerindo um encontro na Avenida Paulista, em São Paulo, para o dia 7 de junho. Rico, por sua vez, recusou o convite, afirmando que não gastaria recursos para o deslocamento e sugeriu que o embate acontecesse em seu próprio condomínio, em Maceió.
Análise e repercussão no debate público
O desentendimento rapidamente repercutiu em canais de análise de mídia e comportamento digital. Em vídeo publicado em seu canal oficial, o jornalista e comunicador Márcio Rolim trouxe uma reflexão crítica sobre o episódio. Rolim alertou sobre o perigo de figuras públicas utilizarem suas imensas audiências — Rico soma mais de 12 milhões de seguidores — para relativizar investigações criminais sérias e moldar narrativas políticas de forma sutil para públicos vulneráveis.
“O problema central não está apenas na troca de farpas em portais de entretenimento, mas em como discursos baseados na desinformação e no pragmatismo monetário conseguem manipular a opinião de milhões de eleitores”, destacou Rolim.
O comunicador ponderou também que, embora Leonora tenha agido com a intenção legítima de defender a responsabilidade social e alertar sobre os perigos das apostas predatórias, a escolha de estender o conflito e marcar encontros públicos acaba gerando um “circo midiático” que alimenta os algoritmos de engajamento, desviando a atenção da sociedade dos problemas estruturais e das apurações jurídicas que realmente importam.
Assista à análise completa de Marcio Rolim:





