
A sessão plenária da Câmara Municipal de Teresina (PI) foi marcada por tensões na manhã desta terça-feira (2). A vereadora Samantha Cavalca (Progressistas) proferiu ofensas transfóbicas contra manifestantes que acompanhavam a sessão, chegando a chamá-los de “cosplay de Erika Hilton”, em referência à deputada federal do PSOL-SP.
O episódio ocorreu enquanto o vereador Pedro Alcântara (Progressistas) discursava na tribuna. Alegando ter sido interrompida por militantes da comunidade trans presentes nas galerias, Samantha Cavalca pediu a palavra ao presidente da Casa, Enzo Samuel (PDT), e disparou:
“Olha, presidente Enzo, tem uma mulher falando e eu não vou admitir um bocado de marmanjo barbado de peruca me interrompendo. Já basta! É um bocado de cosplay de Erika Hilton, rapaz.”
A declaração gerou reação imediata do público, que respondeu com vaias e gritos de repúdio.
Parlamentar recusa retratação e ataca manifestantes
Após o encerramento da sessão, a vereadora foi questionada por jornalistas sobre o teor das declarações. Samantha Cavalca manteve o posicionamento, recusou-se a pedir desculpas e classificou o grupo como uma “minoria baderneira”.
“Essas pessoas não representam o grupo GLBTS (sic), como querem chamar, não representam. Isso aí é uma minoria baderneira ligada ao PT e a outras siglas partidárias”, afirmou a parlamentar.
Movimento LGBTQIA+ repudia declarações e alerta para discriminação
As falas da vereadora foram duramente criticadas por lideranças locais. Maria Laura dos Reis, presidente do Grupo Piauiense de Transexuais e Travestis (GPTrans), emitiu uma nota de repúdio e alertou para a gravidade do projeto que motivou o protesto na Câmara.
“Ele cerceia os direitos das pessoas trans e travestis de ocupar os espaços de acordo com sua identidade de gênero. Nossos corpos não são ameaças para os corpos de mulheres cis. Diferente do que prega o projeto, somos historicamente aliadas na luta contra o machismo e o feminicídio”, destacou Maria Laura.
O que diz o projeto de lei em debate?
O protesto dos militantes tem como alvo uma proposta apresentada no dia 12 de maio pelo vereador Petrus Evelyn (Progressistas). O texto institui a Política Municipal de Proteção da Mulher em Teresina, mas traz em seu escopo uma medida polêmica: reservar o uso de banheiros femininos públicos e privados exclusivamente para mulheres cisgênero, proibindo o acesso de mulheres trans e travestis.
- Mulher cis: Pessoa designada com o sexo feminino ao nascer e que se identifica com esse gênero.
- Mulher trans: Pessoa designada com o sexo masculino ao nascer, mas que se identifica com o gênero feminino.
- Travesti: Identidade de gênero feminina de forte raiz histórica e política na América Latina, especialmente no Brasil.
Próximos passos no Legislativo
A proposta legislativa que restringe o uso dos banheiros atualmente passa por análise das comissões temáticas da Câmara de Teresina. Não há uma data confirmada para que o texto seja votado em plenário.
Caso o projeto seja aprovado pela maioria dos vereadores, a matéria seguirá para o Executivo municipal, dependendo da sanção ou veto do prefeito Silvio Mendes (União Brasil) para entrar em vigor.