
Em uma noite histórica para a arte transformista nacional, Allessa Paes, representante do Pará, foi coroada Miss Brasil Gay 2026 na madrugada deste domingo (23), em Juiz de Fora (MG). A vitória marca a primeira vez que o estado do Pará conquista o título máximo da competição, que neste ano comemorou o marco de 50 anos de história desde sua criação, em 1976.
Logo após receber a coroa, Allessa celebrou a vitória inédita com a torcida:
“É uma conquista que o povo paraense merece, estou muito feliz. Gratidão a todos que me apoiaram, à minha coordenação e principalmente aos meus amigos. Essa é a palavra que define todo o nosso trabalho, toda essa trajetória que eu percorri.”
Resultado da final e Top 6
A 44ª edição reuniu 26 candidatas no palco principal. A carioca Jade Hwskaier, vencedora de 2025, passou a faixa para a nova campeã.
- 1º Lugar (Vencedora): Pará – Allessa Paes
- 2º Lugar: Distrito Federal – Mary Miller
- 3º Lugar: Rio de Janeiro – Wend Caster
- 4º Lugar: Mato Grosso – Melissa Oliveira
- 5º Lugar: Goiás – Nicolly Almeida
- 6º Lugar: Amapá – Sofia Smith
Impacto econômico e celebração de legado
Integrando o calendário oficial da Semana do Orgulho LGBTQIA+ de Juiz de Fora, a festividade homenageou Chiquinho Motta, idealizador do concurso, e reuniu misses de décadas passadas. Segundo a organização:
- Movimentação econômica: Cerca de R$ 5 milhões injetados no comércio, turismo e rede hoteleira da cidade.
- Ação social: Parte do valor arrecadado com a venda de ingressos presenciais foi repassada para ONGs e coletivos locais.
- Alcance: O evento contou com transmissão ao vivo pelo canal oficial do concurso no YouTube.
Entenda as regras do Miss Brasil Gay
Para concorrer ao título, a organização estabelece critérios técnicos específicos:
- Elegibilidade: Candidatos do sexo masculino, artistas transformistas, com idade entre 22 e 38 anos.
- Critérios estéticos: É vedada a participação de travestis e mulheres transexuais, com ou sem intervenções cirúrgicas estéticas com próteses de silicone em seios ou glúteos.
- Avaliação: As concorrentes desfilam em traje típico e traje de gala, recebem notas de jurados convidados e, na fase final, respondem ao vivo a perguntas da banca avaliadora.
Patrimônio cultural e resistência
Criado em plena ditadura militar na década de 1970, o Miss Brasil Gay transcendeu as passarelas ao unir glamour, ativismo e visibilidade LGBTQIA+. Reconhecida internacionalmente, a premiação é registrada desde 2007 como patrimônio imaterial de Juiz de Fora e conta com apoio institucional da Prefeitura do município.