
As eleições de 2026 mostram que dinheiro de campanha e quantidade de votos não caminham necessariamente na mesma proporção. A partir dos valores e das votações, o Gay1 calculou quanto cada candidatura LGBTQIA+ do DF gastou, em média, para conquistar cada voto.
A conta utilizada é simples: custo médio por voto = valor da campanha ÷ número de votos
Os dados de votação são oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que disponibiliza os resultados por candidatura e cargo. Já os dados de receitas e despesas de campanha são divulgados pelo sistema de prestação de contas da Justiça Eleitoral.
Deputados distritais
Entre as sete candidaturas LGBTQIA+ mais bem votadas a deputado distrital no levantamento, Keka Bagno (PSOL) teve a melhor relação entre investimento e votos.
Com R$ 406.497,67 de campanha e 40.569 votos, o custo médio foi de aproximadamente R$ 10,05 por voto.
O resultado coloca Keka praticamente empatada com Fábio Félix, quando comparada a todas as candidaturas LGBTQIA+ do DF analisadas.
Confira:
| Candidatura | Valor da campanha | Votos | Custo médio por voto |
|---|---|---|---|
| Keka Bagno (PSOL) | R$ 408.097,67 | 40.569 | R$ 10,05 |
| Michel Platini (PSOL) | R$ 245.821,61 | 3.425 | R$ 71,77 |
| Douglas Gomes (PSB) | R$ 144.782,00 | 1.721 | R$ 84,12 |
| Dayse Hansa (PT) | R$ 94.708,70 | 636 | R$ 148,91 |
| Madu K (PSOL) | R$ 89.184,20 | 3.460 | R$ 25,77 |
| Andrey Lemos (PT) | R$ 58.705,37 | 1.765 | R$ 33,26 |
| Pikineia (PSOL) | R$ 45.663,15 | 1.340 | R$ 34,07 |
Dayse Hansa apresentou o maior custo proporcional entre os candidatos a deputado distrital: aproximadamente R$ 148,91 por voto.
Na outra ponta, Keka Bagno precisou investir cerca de 15 vezes menos por voto do que Dayse Hansa, considerando exclusivamente a relação matemática entre os valores apresentados e os votos obtidos.
O contraste entre investimento e votação
Um dos pontos que mais chama atenção é que Pikineia, por exemplo, teve uma campanha de R$ 45,6 mil e recebeu 1.340 votos, resultando em custo de R$ 34,07 por voto.
Já Michel Platini, mesmo tendo investido mais de R$ 242 mil, recebeu 3.425 votos. O resultado elevou o custo médio para R$ 71,77 por voto.
Isso mostra que uma campanha com maior orçamento não necessariamente apresenta maior eficiência eleitoral.
Deputados federais: Fábio Félix apresenta o menor custo por voto
Entre as duas candidaturas LGBTQIA+ de destaque do DF a deputado federal presentes no levantamento, o contraste também é expressivo.
Fábio Félix (PSOL) recebeu 224.224 votos, com uma campanha de R$ 2.219.873,55.
Na proporção matemática, isso representa aproximadamente R$ 9,94 por voto.
Já Ruth Venceremos (PT) recebeu 36.117 votos, com R$ 987.449,71 investidos na campanha. O custo médio foi de R$ 28,59 por voto.
| Candidatura | Valor da campanha | Votos | Custo médio por voto |
|---|---|---|---|
| Fábio Félix (PSOL) | R$ 2.229.806,55 | 224.224 | R$ 9,94 |
| Ruth Venceremos (PT) | R$ 1.032.777,69 | 36.117 | R$ 28,59 |
Fábio Félix, portanto, obteve um custo proporcional por voto aproximadamente 2,76 vezes menor que o de Ruth Venceremos.
Fábio Félix e Keka Bagno tiveram os votos mais baratos
Considerando as nove candidaturas LGBTQIA+ do DF, Fábio Félix aparece com o menor custo médio por voto: R$ 9,94, seguido de perto por Keka Bagno, com R$ 10,05.
O ranking geral fica assim:
- Fábio Félix (PSOL) — R$ 9,94 por voto
- Keka Bagno (PSOL) — R$ 10,05
- Madu K (PSOL) — R$ 25,77
- Ruth Venceremos (PT) — R$ 28,59
- Andrey Lemos (PT) — R$ 33,26
- Pikineia (PSOL) — R$ 34,07
- Michel Platini (PSOL) — R$ 71,77
- Douglas Gomes (PSB) — R$ 84,12
- Dayse Hansa (PT) — R$ 148,91
Quanto foi movimentado pelas candidaturas?
Somadas, as sete campanhas para deputado distrital registradas no levantamento representam R$ 1,08 milhão, para um total de 52.916 votos. A média conjunta foi de aproximadamente R$ 20,45 por voto.
Para comparação, o distrital mais votado foi Max Maciel do PSOL com 92.234 votos e uma gasto de R$ 1.112.721,65, que representa R$ 12,06 por voto. Já o segundo mais votado, Eduardo Pedrosa do UNIÃO, teve 50.833 votos e um valor de R$ 1.007.660,00, que da R$ 19,82 por voto.
Entre os candidatos a deputado federal, foram R$ 3,21 milhões para 260.341 votos, uma média de aproximadamente R$ 12,32 por voto.
Fábio Felix foi o federal do DF mais votado, já o segundo lugar ficou com Rafael Prudente do MDB que teve 119.427 votos com valor de R$ 2.773.500,00, que da R$ 23,22 por voto.
Isso significa que, considerando apenas as candidaturas listadas no levantamento, o conjunto dos candidatos a deputado federal apresentou uma relação investimento/voto mais eficiente do que o grupo de candidatos a deputado distrital.
Já se a comparação for feita com outros candidatos, representantes LGBTQIA+ tiveram poucos investimentos por voto.
Uma métrica, não um “preço do voto”
É importante destacar que R$ 9,94, R$ 10,05 ou R$ 148,91 não significam que o eleitor tenha recebido ou vendido qualquer valor.
O cálculo representa apenas uma métrica de eficiência financeira da campanha, obtida pela divisão das despesas ou do valor de campanha informado pelo número de votos recebidos.
Além disso, uma campanha eleitoral envolve diferentes fatores — presença territorial, reconhecimento público, estrutura partidária, tempo de exposição, redes sociais, militância, coligações e características do eleitorado. Portanto, o custo por voto não deve ser interpretado isoladamente como medida definitiva de sucesso eleitoral.
O TSE mantém o DivulgaCandContas e o Portal de Dados Abertos como fontes oficiais para consulta das receitas, despesas e demais informações financeiras das candidaturas.
O que os números revelam
Os dados analisados pelo Gay1 evidenciam uma diferença significativa na capacidade de transformar investimento financeiro em votos. Fábio Félix e Keka Bagno se destacam por terem conquistado grandes votações com os menores custos proporcionais por voto do grupo analisado.
No extremo oposto, Dayse Hansa apresentou o maior custo proporcional, com quase R$ 149 investidos para cada voto obtido.
A comparação ajuda a dimensionar, de forma objetiva, quanto o investimento financeiro das campanhas se traduziu em votação nas urnas, sem confundir essa relação matemática com qualquer atribuição de valor ao voto do eleitor.





