Distrito Federal

Universidade de Brasília terá banheiros sem gênero em câmpus

Nova modalidade passa a funcionar a partir do segundo semestre letivo, que começa em 25 de outubro.

Faça parte do canal do Gay1 no WhatsApp. Clique aqui!
Universidade de Brasília adota banheiro sem gênero em câmpus. (Foto: Kaus Antônio Miranda)
Universidade de Brasília adota banheiro sem gênero em câmpus. (Foto: Kaus Antônio Miranda)

A Universidade de Brasília (UnB) irá implementar três unidades piloto de banheiro neutro no Câmpus Darcy Ribeiro. A medida foi acatada pela Câmara de Direitos Humanos da instituição, durante a primeira reunião realizada presencialmente no salão de Atos da reitoria, na segunda-feira (19). A nova modalidade — já adotada por outras instituições federais de ensino superior — será implementada em 25 de outubro, quando se inicia o novo semestre.

A ideia inicial foi proposta pela secretária de direitos humanos da UnB, Deborah Santos, e levada à comissão de direitos humanos como forma de pluralizar a inserção de política de direitos humanos, além de atender às demandas da comunidade LGBTQIA+ acadêmica.

Além da implementação dos banheiros-testes, a UnB pretende investir em campanhas de conscientização a respeito da identidade de cada estudante. “A universidade, em respeito aos direitos humanos, e atendendo à comunidade trans de muitos anos, está oferecendo essa terceira opção de banheiro”, afirma a secretária.

Segundo a antropóloga e membro da comissão de Direitos Humanos da UnB, Monica Nogueira, a medida vinha sendo debatida há alguns tempo pelo Conselho de Direitos Humanos da instituição.

Ela lembra que a instituição, ao logo dos anos, vem sofrendo uma série de restrições orçamentárias, processo agravado recentemente pelo Ministério da Educação. Observa, porém, que a implementação de políticas públicas deve ser continua, com o intuito de reconhecer os direitos estudantis. Por esse motivo, afirma, a universidade pretende começar as obras em pequena escala. “Dessa forma, a decisão não resultará em subtração de investimentos em outras áreas de ensino, pesquisa e extensão”, assegura.

“São banheiros sem gênero, estão destinados, principalmente, para as pessoas que reivindicaram por eles”, observa Nogueira.

Além disso, prossegue ela, a decisão não tem o intuito de diminuir a importância das opções de banheiro feminino e masculino, mas proporcionar a inserção de uma parcela dos estudantes e atender a uma constante reivindicação da comunidade LGBTQIA+.

Na visão de Kaus Miranda, agente de cultura licenciado pela secretaria e graduando em turismo pela UnB, as pessoas que não se adequam aos estereótipos masculino e feminino muitas vezes sofrem assédio e até mesmo violência ao tentar usar os banheiros “comuns”. “Essa situação de desrespeito, faz com que a taxa de problemas renais em pessoas trans seja muito maior em relação as pessoas cis, porque, para evitar a violência, as pessoas trans passaram horas a fio segurando a urina”, constata.

Ele relata, ainda, que a implementação da nova modalidade de banheiro muda, para melhor, a rotina das pessoas trans, garantindo a elas o direito à cidadania de maneira transversal e coletiva. “Esse processo vai muito além de oferecer banheiros diferenciados, envolve toda a comunidade no assunto”, diz ele.

Universidade de Brasília adota banheiro sem gênero em câmpus. (Foto: Kaus Antônio Miranda)
Universidade de Brasília adota banheiro sem gênero em câmpus. (Foto: Kaus Antônio Miranda)

Nesta sexta-feira (23), Miranda, que integra o grupo Coletivo UnB Neutra, promoveu uma espécie de repaginação nas paredes do Centro de Excelência em Turismo (CET).

Segundo a reitora Marcia Abrahão, quando a universidade se compromete com a implementação de políticas públicas, idealizadas juntamente com as premissas dos Direitos Humanos, serve de exemplo institucional. “Esperamos estimular outras universidades a criar estruturas semelhantes, que fortaleçam suas políticas de direitos humanos. Estou grata e orgulhosa por ver tudo isso se tornando realidade na UnB”, declarou.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo