
A violência contra a população LGBTQIA+ fez mais uma vítima no Distrito Federal. A jovem trans Savana Oliveira, de 27 anos, denunciou ter sido brutalmente agredida e esfaqueada por um grupo de cinco homens na madrugada de 23 de agosto, em frente ao estabelecimento Space Gummy Bar, localizado na Quadra 1 do Setor Comercial Sul (SCS).
De acordo com o relato da vítima e de testemunhas, o crime foi motivado por transfobia. Além das agressões físicas com socos, chutes, pedaços de madeira e pedras, Savana foi atingida por dois golpes de faca na perna e no tornozelo, sofrendo também escoriações por todo o corpo, rosto, braços e costas. Durante o ataque, os agressores ainda roubaram seus pertences pessoais, incluindo o telefone celular.
Ofensas transfóbicas e covardia
Savana e amigos chegaram ao local por volta das 2h10. Minutos depois, a jovem passou a ser hostilizada com ofensas preconceituosas pelo grupo de agressores.
“Eles me chamaram de traveco, ficaram o tempo todo me tratando no masculino, falando para eu virar homem”, relatou Savana.
Ao tentar se defender verbalmente, ela começou a ser agredida por um dos suspeitos, momento em que os outros quatro homens se juntaram ao ataque coletivo. A amiga da vítima, Eryn de Carvalho, de 24 anos, presenciou a cena e tentou intervir, mas acabou ameaçada e teve uma crise de pânico ao ver a violência do ato.
Segundo Eryn, o espancamento ocorreu diante de diversas pessoas sem que ninguém prestasse socorro imediato:
- Omissão: Nenhuma das testemunhas no local interferiu para conter os agressores.
- Fuga e roubo: Ao conseguir se desvencilhar, a vítima fugiu deixando a bolsa, que foi saqueada pelos autores.
- Apoio solidário: Savana só conseguiu abrigo seguro após amigos a levarem a outro bar da região, que encerrou as atividades mais cedo para acolher a vítima e acionar o socorro médico.
Socorro e investigação policial
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) prestou os primeiros socorros à vítima no local e a encaminhou para uma unidade de saúde pública.
A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) realizou rondas e patrulhamento em toda a área do Setor Comercial Sul, mas nenhum dos cinco suspeitos havia sido localizado ou detido até a publicação desta matéria.
O boletim de ocorrência foi formalizado na 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro Velho), unidade responsável por conduzir as investigações para identificar e responsabilizar os criminosos.
Comunidade cobra segurança e justiça

O caso mobilizou a militância de direitos humanos do Distrito Federal. Amigos de Savana, coletivos LGBTQIA+ e representantes da Associação TRAfeminista (Trafem) realizaram um protesto em frente ao Space Gummy Bar. O ato foi articulado pelo ativista de direitos humanos Michel Platini, presidente do Grupo Estruturação e coordenador da Aliança Nacional LGBTI.
A manifestação cobrou apuração rigorosa do crime, implementação de políticas públicas de segurança e melhorias na infraestrutura e regulamentação de espaços de convivência noturna na capital federal.
O espaço segue aberto para manifestação dos responsáveis pelo Space Gummy Bar.





