Saúde

Entenda o que é o ‘chemsex’ e os graves riscos à saúde associados à prática

Fenômeno crescente entre gays, prática combina uso de drogas como metanfetamina com sexo, elevando exponencialmente o risco de ISTs e dependência.

Pesquisadores alertam para os perigos do chemsex e a prevenção reduzida ou inexistente contra as ISTs. (Foto: Getty Images)
Pesquisadores alertam para os perigos do chemsex e a prevenção reduzida ou inexistente contra as ISTs. (Foto: Getty Images)

A busca por prazer pode, por vezes, levar a caminhos perigosos. É o caso do chemsex (ou “sexo químico”), um termo que descreve o uso intencional de drogas para intensificar e prolongar relações sexuais, uma prática que vem crescendo silenciosamente, em especial entre os gays, e que acende um grave alerta de saúde pública.

O fenômeno, que ganhou visibilidade em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro, é frequentemente facilitado por aplicativos de encontro, onde códigos e emojis podem sinalizar o interesse na prática. As drogas mais comuns incluem a metanfetamina (conhecida como “Tina” ou “crystal”), cocaína, GHB (chamado de “Boa Noite, Cinderela”) e ecstasy (MDMA).

O prazer que vira armadilha

A principal atração do chemsex é a promessa de uma experiência sexual potencializada. A metanfetamina, por exemplo, pode elevar os níveis de dopamina a ponto de gerar uma sensação de prazer descrita como até dez vezes mais potente que um orgasmo. No entanto, especialistas alertam que a armadilha da dependência é rápida e severa.

“Essas substâncias têm um poder aditivo muito grande. O sexo, que era o objetivo, vira apenas um pretexto para usar a droga”, afirmam os materiais de conscientização sobre o tema. Com a dependência, o sexo sóbrio pode deixar de ser prazeroso, criando um ciclo vicioso de difícil quebra.

Uma roleta-russa para a saúde

Saúde mental dos adeptos a prática deve ser levada em consideração. (Foto: Getty Images)
Saúde mental dos adeptos a prática deve ser levada em consideração. (Foto: Getty Images)

Os riscos associados ao chemsex são múltiplos e severos, afetando a saúde física, mental e sexual dos praticantes.

  • Risco de ISTs e HIV: Sob o efeito das drogas, a percepção de risco diminui drasticamente, e o uso de preservativos é frequentemente dispensado. Isso aumenta exponencialmente a chance de transmissão de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) como sífilis, hepatite C e o próprio HIV. Embora a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) seja uma ferramenta eficaz contra o HIV, ela não protege contra as outras infecções.
  • Danos à saúde mental: O uso contínuo dessas substâncias está ligado a graves transtornos mentais, incluindo alucinações, depressão profunda, crises de ansiedade, pânico e comprometimento cognitivo.
  • Danos físicos: A sobrecarga no organismo pode levar a problemas renais, danos ao fígado, infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). A overdose é um risco constante, especialmente com o uso de GHB.

Sair dessa é possível: a importância de buscar ajuda

Especialistas e ativistas, como o comunicólogo Lucas Raniel, que contraiu HIV em um episódio de chemsex, são unânimes: a abordagem ao tema não pode ser baseada em moralismo ou julgamento. “Isso não tem impacto na prevenção e no tratamento, e pode fazer a pessoa não se sentir acolhida”, destaca o psiquiatra Lucas Naufal Macedo, da USP.

Reconhecer o problema é o primeiro e mais crucial passo. A dependência do chemsex é complexa e exige um tratamento individualizado, que pode envolver desintoxicação, acompanhamento psicológico para lidar com as causas do vício e apoio social. Conversar com amigos de confiança e familiares pode ser o começo.

Para quem precisa de ajuda, a recomendação é buscar a rede pública de saúde, como os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), e redes de tratamento para HIV, que são espaços de acolhimento preparados para lidar com a questão sem julgamentos.

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