
Sob o lema “A Periferia Também é Arco-Íris: Força, Orgulho e Resistência”, a 4ª edição da Parada LGBTQIA+ do Sol Nascente/Pôr do Sol tomou conta das ruas da região administrativa neste domingo (31). Moradores de todas as idades se uniram a ativistas, DJs e drag queens em um ato que celebrou a diversidade e reforçou a luta por direitos e visibilidade em um dos territórios mais populosos do país.
A concentração, em frente à Administração Regional, deu início a um percurso que seguiu pela Avenida VC 311. Em cima do trio elétrico, a organizadora do evento, Marineide Almeida, conhecida como Branca, destacou a importância de realizar a parada na periferia. “Aqui é a ponta de tudo, aqui é onde pessoas LGBTQIA+ sofrem primeiro, por isso temos que nos unir, mostrar que existimos e resistimos, porque favela vive”, declarou.
O evento, viabilizado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF), contou com um line-up diversificado que animou o público. As drag queens Lee Brandão, Elloa Negrinny, Verônica Strass e Havenna Wandelookx, entre outras, realizaram performances carismáticas, enquanto um time de DJs, incluindo Sarah Gouvea, Generus Raul e Pinkineia, garantiu a trilha sonora da celebração.
A parada demonstrou seu poder de união ao atrair tanto membros da comunidade quanto aliados. “A gente tem que vir e colocar a cara no sol, é importante se manifestar pelos nossos direitos de sermos quem somos”, afirmou Filipe Carvalho, de 18 anos, que participava pela primeira vez.
A mensagem de respeito contagiou até quem passava pelo local, como Gustavo da Silva, de 27 anos, que se juntou à festa. “Gosto de mulher, mas isso não me tira a responsabilidade em respeitar o próximo. Eu respeito porque homofobia atinge todo mundo, inclusive a família de um gay. Eu sei porque meu primo é e todos sofreram quando ele apanhou só por ser gay”, disse o morador, reforçando a importância da aliança.
A realização do evento no Sol Nascente/Pôr do Sol é emblemática. Criada em 2019, a 32ª Região Administrativa do DF é considerada pelo Censo 2022 uma das favelas mais populosas do Brasil, com uma população urbana estimada em mais de 108 mil pessoas, tornando a Parada um poderoso ato de ocupação e afirmação de identidade.