Distrito Federal

Transexual presa no DF denuncia agressões e preconceito na Penitenciária Feminina

Mulher trans afirma ter sido agredida por agente e impedida de registrar lesão no IML. MPDFT, Seape e Defensoria apuram caso.

Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. (Foto: Reprodução)
Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. (Foto: Reprodução)

Uma mulher trans presa no Distrito Federal denunciou ter sido vítima de agressões físicas e psicológicas, castigos coletivos e transfobia dentro da Penitenciária Feminina do DF (Colmeia).

A violência, segundo ela, partiu dos próprios agentes penitenciários.

Em um relato de atendimento jurídico, a advogada da família de Jhully Arielle Fernandes Plácido Rodrigues afirmou que dentro do presídio há perseguição e discurso transfóbico institucional por parte dos servidores.

Jhully Arielle está presa na ala LGBTQIA+ da unidade. Ela disse à advogada que um servidor conhecido como Mayke seria responsável pelas perseguições a pessoas trans.

Entre as agressões, ele teria dito que elas voltariam para o presídio masculino e que não permaneceriam na Colmeia.

Em nota, o MPDFT disse que instaurou procedimento interno para apuração do caso. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seape-DF) também instaurou procedimento de investigação preliminar.

A Defensoria Pública do DF informou que está acompanhando a denúncia por meio do Núcleo de Assistência Jurídica responsável. A denúncia também foi encaminhada à OAB e ao Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura.

Agressão e castigo coletivo

Ainda de acordo com o relato, no último dia 11, Jhully foi derrubada ao chão por um outro agente, teve a cabeça pisada e sofreu um corte na sobrancelha.

Ela foi levada ao Instituto Médico Legal (IML) para fazer o exame de corpo de delito. Lá, teria ouvido de um perito que a lesão na cabeça não seria incluída no laudo – apenas o ferimento no pé.

A detenta disse também que não recebeu atendimento médico. Ainda segundo os relatos, após um incidente com uma luminária, o servidor impôs castigo coletivo às internas, mesmo sabendo quem foi a responsável.

Elas foram transferidas com apenas a roupa do corpo e obrigadas a permanecer em condições degradantes.

Uma das detentas foi agredida com murros, chutes e um pedaço de ferro; outra, atingida por balas de borracha.
As internas teriam ficado também sem banho de sol, higiene ou acesso à saúde.

Mãe diz que não consegue ver a filha

Em entrevista à TV Globo, a mãe de Jhully afirmou que não consegue ver a filha há três visitas. Segundo ela, uma advogada conseguiu ter acesso à interna e relatou que Jhully estava toda machucada, com os cílios rasgados e um ferimento no pé.

“Ela tá toda machucada. Um agente teria enfiado um ferro no pé dela e deixado o objeto entrar”, disse a mãe.
A irmã de outra interna que também teria sido agredida cobrou providências das autoridades.

“Estão indo lá somente para agredir elas. Que as autoridades venham averiguar a situação e suspendam todos os trabalhadores que estão fazendo isso”, disse.

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