Minas Gerais

Referência na luta LGBTQIA+, ativista Carlos Magno recebe título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte

Natural do Pará e radicado na capital mineira há duas décadas, fundador do Cellos-MG foi homenageado na Câmara Municipal por sua trajetória em defesa dos direitos humanos e combate à discriminação.

Carlos Magno com vereadores Juhlia Santos e Pedro Patrus. (Foto: Reprodução/Instagram)
Carlos Magno com vereadores Juhlia Santos e Pedro Patrus. (Foto: Reprodução/Instagram)

Uma das figuras mais emblemáticas da militância pelos direitos humanos em Minas Gerais recebeu, na noite desta terça-feira (16), o reconhecimento máximo da capital mineira. O ativista Carlos Magno, natural de Santarém (PA) mas atuante em Belo Horizonte há mais de 20 anos, foi agraciado com o título de Cidadania Honorária pela Câmara de Vereadores.

A cerimônia, realizada na sede do Legislativo municipal, foi solicitada pelos vereadores Juhlia Santos (Psol) e Pedro Patrus (PT). O evento reuniu familiares, admiradores e diversas lideranças sociais para celebrar a trajetória de quem dedicou a vida à visibilidade e proteção da população LGBTQIA+.

Uma vida dedicada à militância

Carlos Magno chegou ao território mineiro em 2002 e, desde então, tornou-se peça-chave na articulação política do movimento. Ele foi um dos fundadores do Cellos-MG (Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais), entidade responsável pela organização da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Belo Horizonte.

Sua atuação institucional também foi pioneira: Magno participou da criação do Centro de Referência pelos Direitos Humanos e Cidadania LGBT (CRLGBT) em 2008, tornando-se seu primeiro coordenador. Nacionalmente, integrou o Conselho Nacional de Combate à Discriminação e presidiu a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) em 2013.

“Não tive alternativa, tive que lutar”

O ativista Carlos Magno foi agraciado com o título de Cidadania Honorária pela Câmara de Vereadores. (Foto: Reprodução/Instagram)
O ativista Carlos Magno foi agraciado com o título de Cidadania Honorária pela Câmara de Vereadores. (Foto: Reprodução/Instagram)

Durante o discurso de agradecimento, o homenageado evitou romantizar sua trajetória, lembrando que seu ativismo nasceu da necessidade de sobrevivência diante do preconceito.

“Só me construí como militante porque fui vítima dos piores preconceitos que essa sociedade pode ter. Não tive alternativa, eu tive que lutar, isso às vezes me cansa”, desabafou Carlos Magno.

Emocionado, ele afirmou que, apesar do tempo vivendo na cidade, ainda se sentia um “estrangeiro” e que o título preenche essa lacuna simbólica. “É a maior emoção que estou tendo na vida. Eu amo Belo Horizonte. Eu acertei, viva BH!”, celebrou.

Reconhecimento coletivo

A cerimônia foi marcada por depoimentos que ressaltaram o papel de Magno na formação de novas lideranças. Maicon Chaves, atual presidente do Cellos-MG, destacou o caráter solidário e a ética revolucionária do ativista.

Já a vereadora Juhlia Santos enfatizou a onipresença de Magno nas conquistas locais: “Não tenho memória de uma militância em BH sem Carlos Magno. (…) Se avançamos minimamente, tem um dedo seu”.

Homenagem à memória e protesto

A noite também reservou espaço para reconhecer o trabalho do professor e pesquisador Luiz Morando, autor de obras fundamentais sobre a memória LGBT+ em Minas Gerais, como “Enverga, mas não quebra”.

O tom político se intensificou com a fala do vereador Pedro Patrus, que relembrou as mortes recentes de pessoas trans na cidade, citando os casos de Alice Martins e Christina Maciel. Para o parlamentar, a homenagem a Carlos Magno é vital pois sua atuação “nasce do desejo de liberdade, não somente da sexualidade, mas pela democracia”.

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