Vereadores de direita convocam militância e Benny Briolly denuncia agressão articulada em Niterói

Em pronunciamento, parlamentar aponta parlamentares bolsonaristas por incitação ao ódio e relata detalhes do ataque sofrido em banheiro feminino de shopping.

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A escalada de violência política e transfobia ganhou novos desdobramentos após o pronunciamento oficial da vereadora Benny Briolly. Em vídeo publicado em suas redes sociais, a parlamentar responsabilizou diretamente vereadores e lideranças da extrema-direita pela articulação que resultou em sua agressão física no Plaza Shopping Niterói.

Segundo Benny, parlamentares de direita convocaram deliberadamente militantes bolsonaristas para ocupar o centro comercial com o objetivo de hostilizar, filmar e atacar mulheres trans, transformando o acesso ao banheiro feminino em um cenário de violência programada.

Acusações diretas a parlamentares por incitação ao ódio

Durante o desabafo, Benny Briolly citou nominalmente figuras políticas locais, apontando-as como responsáveis por inflamar os agressores e levar uma “enxurrada de bolsonaristas” para o estabelecimento:

“Vocês vão pagar pela agressão que eu sofri e pelos crimes de incitação ao ódio que estão fazendo. Quem levou uma enxurrada de bolsonaristas para dentro do Plaza, na praça de alimentação, para atacar uma mulher trans no banheiro foram vocês”, disparou a parlamentar no vídeo.

Benny explicou que o discurso que associa pessoas trans a termos criminosos cria um imaginário violento na sociedade. “Se você tacha uma pessoa de pedófila, de estupradora, de abusadora… É o imaginário social que se cria na cabeça das pessoas que levou esse homem a me esmurrar e eu cair no chão”, contextualizou.

O momento do ataque: “Fui agredida a socos e apaguei”

Vereadora e ativista trans Benny Briolly diz ter sido agredida em shopping do Rio e deixa o local de ambulância. (Foto: Reprodução)

A vereadora detalhou a gravidade do ataque sofrido no momento em que tentava utilizar o sanitário feminino do shopping. Ao contrário dos relatos iniciais de empurrões, ela confirmou a gravidade das lesões físicas:

A parlamentar revelou que o único motivo de ter ido ao shopping — mesmo após o cancelamento da Caravana Libera Meu Xixi devido a mais de 400 ameaças recebidas na véspera — foi para garantir a segurança da própria militância e orientar apoiadores que não tinham visto o aviso de cancelamento a voltarem para casa em segurança.

Reação nacional e mobilização da bancada trans

Vereadora Benny Briolly é agredida com spray de pimenta em shopping de Niterói após ameaças de morte. (Foto: Reprodução)

O caso tomou proporções federais e já está sendo tratado como um episódio grave de violência política de gênero. Benny Briolly anunciou que uma força-tarefa jurídica e parlamentar já está em andamento.

Instituições e mandatos federais foram acionados para cobrar punição severa aos envolvidos e aos parlamentares que incitaram o ato:

  1. Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e o Fórum Nacional de Travestis e Transexuais (Fonatrans).
  2. Bancada Trans no Congresso Nacional, liderada pelas deputadas federais Erika HiltonDuda Salabert e Thabatta Pimenta.
  3. Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados.

“Fui violada, mas hoje eu tô de pé pela luta. Não vai ser bolsonarista fascistinha que vai me deixar tombada. Se eles quiserem, na próxima vez vão ter que vir com fuzil na minha cabeça, porque com socos e murros eu vou continuar lutando. O objetivo deles é que eu seja a próxima Marielle Franco, e nós não vamos admitir”, concluiu Benny Briolly.

Vereadores de direita convocam militância e Benny Briolly denuncia agressão articulada em Niterói. (Foto: Reprodução)
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