
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) utilizou suas redes sociais para fazer uma denúncia grave contra a atual direção do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). A parlamentar acusa a cúpula da sigla de descumprir acordos fundamentais, o que, segundo ela, coloca em risco sua pré-candidatura à reeleição e a viabilidade eleitoral de lideranças populares do partido.
Falta de estrutura e riscos à segurança
Hilton enfatizou que a política exige transparência e respeito aos compromissos firmados. Como deputada negra e travesti, a parlamentar destacou que sua logística de campanha em São Paulo — o maior colégio eleitoral do país — demanda investimentos específicos, especialmente em segurança.
“Para viajar São Paulo puxando votos, preciso de uma logística imensa e de um esquema de segurança fortíssimo. Nossos corpos correm riscos que a burocracia do partido não pode simplesmente ignorar”, afirmou a deputada. Ela alerta que a falta de suporte adequado não apenas inviabiliza sua atuação, mas coloca sua integridade física em perigo.
Críticas ao privilégio e à gestão de recursos
O ponto central da insatisfação de Erika Hilton recai sobre os critérios de distribuição de recursos e prioridades do partido. A parlamentar contesta o tratamento dado a novos nomes da sigla em comparação com lideranças consolidadas.
- Desigualdade: Hilton aponta que figuras como Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede, e Manuela D’Ávila teriam prioridades e valores de repasse que superam os seus, configurando, segundo ela, um “privilégio branco e cis” que se sobrepõe a cálculos eleitorais sérios.
- Retrocesso na inclusão: A deputada denunciou o desmonte da política nacional de inclusão do PSOL, que previa ajustes justos de repasses baseados em gênero, raça e deficiência (PCD). “É um retrocesso inaceitável”, classificou.
“Suicídio político”
O desabafo de Erika Hilton estende o problema a outros nomes de peso da legenda, citando Renata Souza e Rick Azevedo, no Rio de Janeiro, e Carlos Giannazi, em São Paulo. Segundo a parlamentar, o partido estaria repetindo erros passados ao ignorar a força popular de lideranças que garantem votos, em prol de grupos internos.
“O que não podemos aceitar é a falta de transparência e o suicídio político de sufocar quem tem a força popular para garantir a sobrevivência do partido”, concluiu Hilton, cobrando que a direção, comandada pela presidenta nacional Paula Coradi, cumpra os acordos para garantir uma bancada de esquerda fortalecida na Câmara.
Até o momento, a direção nacional do PSOL não se manifestou publicamente sobre as declarações da deputada.





