
A força da arte transformista e a grandiosidade do teatro musical se encontram em um espetáculo inédito no Distrito Federal. Nos dias 4 e 5 de julho, o Complexo Cultural de Samambaia recebe as primeiras apresentações de “Drag-Se, Um Musical Queen”. Financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), o projeto traz uma montagem totalmente gratuita que mistura ficção científica, performances drag, dança e música ao vivo para celebrar a diversidade e a memória queer.
Uma Viagem no Tempo em Busca do Legado Drag
A narrativa do musical se passa séculos à frente do nosso tempo. Na trama, a cientista Dra. Khalla desenvolve uma tecnologia revolucionária capaz de realizar viagens temporais a partir de peças de vestuário.
A missão da cientista é investigar se as lendárias Drag Queens realmente existiram e como elas ajudaram a moldar um futuro baseado na liberdade, na arte e na expressão pessoal. Para comandar essa jornada, ela convoca o time de D.I.V.A.s (Detetives de Investigação de Vestuários Ancestrais), que transformam uma palestra científica em um show inesquecível de música e dança.
O roteiro mergulha em vivências e trajetórias reais de pessoas que enxergaram no transformismo uma ferramenta de manifestação política, artística e de acolhimento.
Ocupando Novos Espaços na Cultura do DF
Idealizado por Bruno Coeoli — multiartista e nome por trás da conhecida drag queen K-halla —, o espetáculo busca romper barreiras e descentralizar a arte transformista, levando-a das pistas da noite para os palcos teatrais. Coeoli assina a direção geral e as coreografias do projeto.
“Em outros lugares do país já existe um movimento forte de artistas transformistas participando de grandes produções, enquanto em Brasília a drag sempre esteve muito associada à noite, às boates e aos shows. O Drag-Se nasce dessa necessidade de mostrar que temos histórias importantes de serem contadas”, destaca o idealizador.
Além do entretenimento, o musical carrega um forte pilar político e de resiliência. A atriz Tonhão Nunes, integrante do elenco, reforça o impacto social da montagem:
“É mais do que necessário reafirmar a existência da arte drag, ainda mais quando referenciamos figuras icônicas e emblemáticas. O universo drag é um sonho lindo, e levar isso pro teatro nos dá possibilidade de realizar e compartilhar a arte com inúmeras pessoas. Isso gera conhecimento, ruptura de preconceitos e abertura de portais para a permanência dessa arte na sociedade.”
A atriz Alessandra Maraschino complementa que o público pode esperar um ambiente acolhedor, cheio de cor e reflexão:
“Podem esperar uma viagem divertida e leve, mas também de reflexão e resiliência. É um novo universo que convida cada pessoa a ser incrível todos os dias e a celebrar quem é.”
Ficha Técnica de Peso e Acessibilidade Garantida
Com um elenco composto integralmente por profissionais da comunidade LGBTQIAP+, “Drag-Se, Um Musical Queen” conta com uma equipe técnica especializada do cenário cultural candango:
- Direção Geral e Coreografias: Bruno Coeoli
- Direção Cênica: Élia Cavalcante
- Direção Musical: Faby Gonçalves
- Direção de Arte: Carol Franklin
- Texto: Gaê
O projeto também prioriza a inclusão. Todas as quatro sessões do fim de semana contarão com interpretação em Libras, e as apresentações de sábado (4) terão o recurso de audiodescrição.
Serviço: “Drag-Se, Um Musical Queen”
- Datas e Horários:
- 4 de julho (sábado): 17h30 e 20h00 (Sessões com Libras e Audiodescrição)
- 5 de julho (domingo): 17h30 e 20h00 (Sessões com Libras)
- Local: Complexo Cultural de Samambaia (Centro Urbano, Samambaia Sul, Brasília – DF)
- Ingressos: Gratuitos. A retirada deve ser feita de forma antecipada pelo Sympla.
- Entrada: Validação do ingresso mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível.
- Fomento: Projeto realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF).