
Uma mulher de 53 anos, identificada como Maria Núbia de Castro Ribeiro, foi presa em flagrante na tarde da última quinta-feira, 25, no município de Cascavel, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Ela é acusada de impedir uma colega de trabalho, que é uma mulher trans, de utilizar o banheiro feminino da confecção onde ambas trabalhavam. A prisão foi efetuada pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE).
Conforme os autos do processo, o caso aconteceu no bairro Vila Pacheco. A discussão começou por volta das 12 horas, quando a suspeita barrou a entrada da vítima sob a alegação de que ela “seria um homem” e, por isso, não poderia acessar o local.
Ofensas, transfobia e ameaça de facção
Além de bloquear o acesso ao banheiro, Maria Núbia teria atacado a colega verbalmente. De acordo com a denúncia, a suspeita afirmou que a vítima possuía diversas Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e que iria “infectar as demais colaboradoras”.
A Secretaria da Segurança Pública informou que a mulher também proferiu diversos xingamentos LGBTfóbicos, desrespeitando a identidade de gênero da trabalhadora.
Coerção
Os autos apontam ainda que a vítima foi coagida a não denunciar o caso à polícia. Ela sofreu ameaças de que, caso procurasse as autoridades, seria perseguida por integrantes de uma facção criminosa.
Maria Núbia foi autuada pelos crimes de injúria e racismo, com base nos artigos 2º-A e 20 da Lei nº 7.716 (Lei do Racismo, que engloba a homofobia e a transfobia por entendimento do STF). Em depoimento, a suspeita negou as acusações e alegou que as ofensas foram uma reação a supostas provocações feitas pela vítima contra suas irmãs, que também trabalham no estabelecimento.
Crimes de homofobia e transfobia disparam no Ceará em 2026
O episódio em Cascavel reflete uma realidade preocupante no estado. Dados da Secretaria da Diversidade (Sediv), extraídos do Sistema de Informações Policiais (SIP) da PC-CE, apontam que o Ceará registrou 189 vítimas de crimes de homofobia e transfobia entre 1º de janeiro e 26 de junho de 2026.
A capital cearense concentra o maior volume de notificações, mas os dados mostram a pulverização da violência pelo interior e regiões metropolitanas:
- Fortaleza: 94 casos
- Juazeiro do Norte: 10 casos
- Caucaia: 9 casos
- Sobral: 5 casos
- Crateús: 5 casos
Perfil das vítimas no Ceará
A pesquisa realizada pela Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp) também traçou o perfil socioeconômico das vítimas no estado:
- Faixa etária: Jovens de 24 a 29 anos são os principais alvos (49 pessoas, ou 26% do total).
- Escolaridade: A maioria possui ensino médio completo (58) ou ensino superior completo (47).
- Identidade e Orientação: A maior parte das vítimas registradas no sistema se identifica como homem cisgênero (73) e gay (66).
O caso de Cascavel segue sob acompanhamento do Poder Judiciário.