
A conselheira tutelar e professora de educação infantil Maryna Colucci de Jesus, de 34 anos, foi encontrada morta nesta terça-feira (25) em uma área rural localizada entre os municípios de Jacuí e Fortaleza de Minas, no interior de Minas Gerais. Mulher trans com destacada atuação na defesa dos direitos de crianças e adolescentes, Maryna estava desaparecida desde a última sexta-feira (21).
O corpo da vítima foi localizado enterrado em uma cova com cerca de dois metros de profundidade e apresentava marcas de disparos de arma de fogo na cabeça.
Prisão do suspeito e investigação
O principal suspeito do crime é José Sérgio de Oliveira, um policial militar de 43 anos. Ele foi preso em flagrante após apontar aos investigadores o local exato onde o corpo havia sido ocultado. De acordo com a Polícia Civil, o agente confessou o assassinato. As investigações continuam em andamento para esclarecer a motivação e as circunstâncias do crime.
Cenário de violência contra a população trans
O assassinato brutal de Maryna evidencia a vulnerabilidade contínua da comunidade LGBTQIA+ no Brasil, com foco na população trans. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam o tamanho do desafio:
- Aumento da violência: Os registros formais de homofobia e transfobia cresceram 35,6% entre 2024 e 2025.
- Subnotificação: Embora o mesmo levantamento aponte uma queda de 14,2% nos homicídios dolosos contra pessoas LGBTQIA+, especialistas ressaltam que o dado não indica melhora real, devido às limitações na coleta de informações e à persistência da violência estrutural.
O caso reforça a urgência de medidas concretas de proteção, combate à transfobia e rigor na responsabilização judicial, evitando que crimes de ódio sejam tratados com indiferença.