
Uma operação da Polícia Civil do DF desmantelou uma organização criminosa especializada em extorquir pessoas da comunidade LGBTQIA+. Três suspeitos foram presos no município de Valença, no interior do Rio de Janeiro, e uma quarta integrante segue foragida. O grupo utilizava aplicativos de mensagens e falsas acusações de envolvimento com pornografia infantil para chantagear as vítimas.
As investigações começaram após uma mulher trans procurar a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual, ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (DECRIN).
Como funcionava o golpe da extorsão
O esquema seguia uma dinâmica planejada para atrair e constranger as vítimas:
- Inclusão em grupos: A vítima recebia um convite com um link para entrar em um grupo de mensagens direcionado ao público LGBTQIA+.
- Armadilha com conteúdos explícitos: Ao acessar o grupo, o usuário se deparava com publicações pornográficas.
- Ameaça e chantagem: Assim que a vítima tentava sair do aplicativo, os criminosos iniciavam as ameaças. Caso não pagasse os valores solicitados, o grupo prometia divulgar falsamente que ela tinha envolvimento com pedofilia.
Pressionada pelas ameaças, a mulher que denunciou o caso chegou a transferir R$ 2 mil aos chantagistas antes de recorrer à polícia.
Estrutura familiar e divisão de tarefas no crime
A apuração da DECRIN apontou que a quadrilha contava com divisão bem definida de papéis, operando a partir de conexões e chips cadastrados em nome de terceiros:
- Administração e chantagem: Uma mulher de 25 anos gerenciava os grupos e fazia o contato direto para exigir o dinheiro. Ela utilizava linhas registradas no nome do ex-padrasto.
- Movimentação financeira: A mãe da jovem, de 45 anos, recebia e pulverizava os valores extorquidos transferindo o montante entre diversas contas bancárias.
- Apoio operacional: Um homem de 30 anos (ex-companheiro da mulher de 45 anos) também integrava a estrutura do grupo.
Prisões e investigações em outros estados
Durante o cumprimento dos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, os agentes prenderam a mãe, a filha e o ex-companheiro. Quatro celulares foram apreendidos na ação — três estavam com a jovem e um com a mãe. Uma quarta integrante, de 31 anos, continua sendo procurada pelas autoridades.
Os detidos foram encaminhados ao sistema penitenciário do Estado do Rio de Janeiro. Segundo a polícia, os investigados já possuem histórico de registros por crimes semelhantes praticados em outros estados.





