Ator João Victor Gonçalves fala sobre ataque homofóbico de streamer e Erika Hilton aciona o MP

Conhecido pelo papel de Mau Mau, artista foi ridicularizado por GH em uma live a caminho do festival; caso reacende debate sobre LGBTfobia recreativa nas redes.

João Victor Gonçalves, o Mau Mau de 'Quem ama cuida', chora ao falar de ataque que sofreu na rua: 'Homofobia é crime'. (Foto: Reprodução/Instagram)
João Victor Gonçalves, o Mau Mau de ‘Quem ama cuida’, chora ao falar de ataque que sofreu na rua: ‘Homofobia é crime’. (Foto: Reprodução/Instagram)

O ator João Victor Gonçalves, conhecido por interpretar o personagem Maurício (Mau Mau) na novela Quem Ama Cuida, foi alvo de ataques e deboches na noite desta sexta-feira (4). O artista foi cercado por criadores de conteúdo que ridicularizaram suas roupas enquanto ele se deslocava para o festival Rock in Rio. O episódio foi transmitido ao vivo pela plataforma KICK e gerou forte comoção nas redes sociais, além de desdobramentos legais.

Visivelmente abalado, o ator publicou um desabafo em vídeo após ver a repercussão e o apoio que recebeu do público. Chorando, Gonçalves traçou um paralelo entre o ocorrido e as vivências de seu personagem na televisão.

“Abri o Twitter agora e estou vendo muita coisa e estou até me emocionando com as coisas que estou lendo lá… O Mau Mau é um personagem forte, valente, que encara essa homofobia estrutural, que vive dentro de casa, de uma forma muito corajosa. Ele engole e segue. Talvez tenha sido isso que eu fiz hoje. Eu engoli e segui. Dentro de mim talvez eu estivesse sentindo alguma coisa, mas o meu medo de ser roubado era maior, eu acho”, declarou o ator, reforçando na legenda da publicação: “Nós somos muito mais fortes que qualquer coisa. Impunes não vão ficar. Homofobia é crime.”

Erika Hilton aciona Ministério Público contra plataforma e streamers

A repercussão do caso motivou uma ação formal da deputada federal Erika Hilton, que acionou o Ministério Público contra a plataforma KICK e os streamers envolvidos na gravação e no compartilhamento dos ataques.

O episódio reacendeu o alerta sobre a chamada LGBTfobia recreativa, prática em que agressões verbais, humilhações e preconceito contra a comunidade LGBTQIA+ são mascarados como piadas, pegadinhas de rua ou conteúdo voltado ao engajamento digital.

“Não podemos aceitar jamais a homofobia e qualquer forma de LGBTfobia recreativa. Quando nossas existências viram conteúdo ou piada, a desumanização já está em curso”, enfatizou a deputada.

A parlamentar defende que a responsabilização jurídica abranja não apenas os autores das ofensas, mas também a própria plataforma de streaming, pela omissão, circulação e monetização de conteúdos discriminatórios.

Streamer se pronuncia e alega ‘busca por entretenimento’

Após a onda de críticas e denúncias, o streamer GH, um dos envolvidos na gravação, usou as redes sociais para se manifestar. O produtor de conteúdo afirmou que privou seu perfil para conter mensagens de ódio e tentou justificar a abordagem como parte de sua dinâmica de trabalho.

A representação apresentada ao Ministério Público segue em análise para apurar a conduta dos envolvidos e a responsabilidade civil da plataforma de transmissão.

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