A Polícia Civil de São Paulo prendeu, nesta quarta-feira (28), Fernando Curti Tavares, de 31 anos, suspeito de assassinar o próprio marido, Caio Henrique Ventura, de 21 anos. O jovem foi encontrado morto no dia 1º de outubro em uma suíte de motel na Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda, zona oeste da capital paulista.
As investigações do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) apontam que o crime teria sido praticado para que o suspeito recebesse cerca de R$ 15 milhões em apólices de seguro de vida em nome do companheiro.
Apólices milionárias e beneficiário único
Caio e Fernando se conheceram por meio de um aplicativo de relacionamento e estavam casados desde junho deste ano. Durante as apurações, a polícia descobriu que a vítima possuía mais de três seguros de vida com coberturas entre R$ 2 milhões e R$ 10 milhões, com cláusulas de indenização dobrada em caso de morte acidental.
Fernando constava como o único beneficiário de todas as apólices e acionou as seguradoras poucas horas após o óbito do jovem. Em depoimento, a mãe de Caio afirmou que desconhecia tanto o casamento do filho quanto a existência dos contratos milionários.
O advogado Adriano Scattini, especialista em fraudes contra seguros, destaca os desdobramentos jurídicos da investigação:
“Se os fatos forem confirmados, o suspeito deverá ser indiciado por homicídio qualificado por motivo torpe, ou seja, a intenção de benefício financeiro com as indenizações.”
Contradições e eliminação de provas

Inicialmente, o caso foi registrado como morte acidental. Fernando declarou aos agentes que o casal deu entrada no motel por volta das 22h do dia 30 de setembro. Após manterem relações na banheira de hidromassagem, ele teria descido ao pavimento inferior da suíte duplex para tomar banho, encontrando o jovem desacordado ao retornar, 20 minutos depois.
Contudo, a perícia constatou divergências na versão apresentada:
- Visibilidade do local: A banheira no mezanino fica visível a partir da porta do banheiro do andar inferior,separada apenas por uma divisória de vidro.
- Profundidade incompatível: A banheira possui menos de 70 centímetros de profundidade, o que levantou dúvidas sobre a hipótese de um afogamento acidental.
- Formatação de celular: Durante o plantão policial, ao ser informado sobre a apreensão de seu aparelho, Fernando realizou um reset de fábrica no celular, apagando dados e fotos do dispositivo.
Laudo necroscópico aponta sinais de violência
O laudo pericial detalhou lesões corporais que contrapõem a tese de acidente. O documento indica ferimentos de defesa nos dedos, mãos e antebraços do jovem, além de lesões na cavidade oral e infiltrações hemorrágicas profundas na região do pescoço.
A principal hipótese de trabalho do DHPP é que a vítima tenha sofrido violência física e compressão cervical antes de ser mantida submersa. A Justiça decretou a prisão temporária do suspeito por indícios de homicídio doloso, risco de fuga e destruição deliberada de provas. Os equipamentos eletrônicos apreendidos passam por perícia técnica.





