Faça parte do canal do Gay1 no WhatsApp. Clique aqui!
Política

Ministro do TSE nega pedido da campanha de Lula para remover fake news sobre ‘kit gay’

Raul Araújo participa de sessão na corte especial do STJ. (Foto: Lucas Pricken)
Raul Araújo participa de sessão na corte especial do STJ. (Foto: Lucas Pricken)

O ministro Raul Araújo, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou um pedido da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para remover publicações em redes sociais associando o PT à distribuição de um suposto “kit gay” nas escolas. A coligação que apoia Lula lembrou, por exemplo, que, em 2018, o TSE já havia dado uma decisão mandando remover algumas publicações a respeito do tema, por se tratar de informação inverídica.

O ministro negou o pedido por diferentes motivos. A decisão dele é provisória, e a representação ainda vai ser analisada em definitivo. Um dos vídeos publicados é o trecho de uma entrevista que o presidente Jair Bolsonaro (PL), que agora tenta a reeleição, deu no passado. Nesse caso, Raul Araújo disse que a divulgação da entrevista está amparada pela liberdade de expressão. No caso de outra publicação, que havia sido postada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do presidente da República, o ministro do TSE destacou que ele não estava mais no ar. Ao acessar a página, se encontra uma mensagem do Instagram dizendo se tratar de informação falsa.

Em sua decisão, o ministro destacou trechos da Constituição para dizer que “a reprodução de trecho de entrevista anteriormente divulgada em programa de televisão encontra amparo na liberdade de expressão, de informação e de imprensa”.

Ressaltou ainda que, nesta primeira análise do caso, se observa que “o vídeo publicado não apresenta fato evidentemente falso ou gravemente descontextualizado, nem ofensivo à honra de candidato ou à higidez do processo eleitoral, a caracterizar conteúdo desinformativo que autorize a interferência desta Justiça Especializada”.

Raul Araújo também citou uma decisão tomada em 2018 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) segundo a qual “o direito fundamental à liberdade de expressão não se direciona somente a proteger as opiniões supostamente verdadeiras, admiráveis ou convencionais, mas também aquelas que são duvidosas, exageradas, condenáveis, satíricas, humorísticas, bem como as não compartilhadas pelas maiorias. Ressalte-se que, mesmo as declarações errôneas, estão sob a guarda dessa garantia constitucional.”

Em 2018, o “kit gay” já tinha sido citado pelo então candidato Jair Bolsonaro, que venceu a eleição para presidente. Na campanha deste ano, a coligação que apoia Lula argumentou que foi trazido “novamente para o embate eleitoral notícia sabidamente inverídica”.

“Imediatamente, veículos da imprensa nacional denunciaram a tentativa dos representados de, mais uma vez, a poucos dias das eleições, macular o debate eleitoral com a informação sabidamente falsa. Em outras palavras, de forma livre, deliberada e consciente, os representados propagaram a desinformação com o objetivo de prejudicar adversários políticos e macular a lisura da disputa eleitoral em curso no ano de 2022 – a despeito de reconhecidamente inverídica a informação”, argumentaram os advogados da campanha do candidato petista.

Além da remoção do conteúdo, a coligação de Lula pediu a aplicação de multa no valor de R$ 25 mil, o que também foi negado.

Alinhando aos Bolsonaros

O ministro Raul Araújo ganhou destaque nos noticiários após proibir manifestações políticas por artistas no festival Lollapalooza em março desse ano, o magistrado acatou pedido de liminar do PL, partido de Bolsonaro, e entendeu que as manifestações das cantoras Pabllo Vittar e Marina Sena durante os shows do festival configuraram propaganda eleitoral antecipada.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo