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Brasil segue como país que mais mata pessoas trans no mundo, aponta dossiê da ANTRA

122 pessoas trans foram assassinadas em 2024, com aumento da violência contra jovens negras e empobrecidas.

Brasil registra 122 assassinatos de pessoas trans em 2024, aponta dossiê da Antra. (Foto: Reprodução)
Brasil registra 122 assassinatos de pessoas trans em 2024, aponta dossiê da Antra. (Foto: Reprodução)

Um novo estudo da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), divulgado nesta segunda-feira (27), revela um cenário alarmante: o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas trans no mundo. Em 2024, 122 pessoas travestis e transexuais foram assassinadas, um número que, apesar de apresentar uma leve queda em relação a 2023, mantém o país em uma posição vergonhosa no ranking mundial de violência contra a comunidade LGBTQIA+.

Perfil das vítimas: jovens, negras e em situação de vulnerabilidade

Pessoas trans e travesti assassinadas no Brasil em 2024. (Foto: Reprodução)
Pessoas trans e travesti assassinadas no Brasil em 2024. (Foto: Reprodução)

O dossiê da ANTRA aponta que o perfil das vítimas é majoritariamente de jovens trans negras, empobrecidas, nordestinas e assassinadas em espaços públicos. A idade média das vítimas é cada vez mais baixa, com a mais jovem tendo apenas 15 anos. Essa realidade demonstra a urgência de políticas públicas que protejam essa população, especialmente as mais vulneráveis.

São Paulo lidera ranking de assassinatos

O estado de São Paulo liderou o ranking de estados com o maior número de casos, seguido por Minas Gerais e Ceará. Essa concentração de casos em determinados estados evidencia a necessidade de ações específicas e regionais para combater a violência contra pessoas trans.

Fonte: Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra)
Fonte: Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra)

Desigualdade e falta de políticas públicas agravam a situação

A presidente da ANTRA, Bruna Benevides, destaca que a desigualdade social e a falta de políticas públicas são fatores que contribuem para o aumento da violência contra pessoas trans. Estados com maiores índices de violência são, geralmente, aqueles que possuem menor investimento em políticas públicas voltadas para a comunidade LGBTQIA+.

“O dossiê é uma denúncia gritante de que a sociedade tem falhado com a comunidade trans, que precisa assumir portanto compromisso na defesa da garantia da vida para nossa comunidade”, diz Bruna Benevides.

Medidas urgentes para combater a violência

Para reverter esse quadro, a ANTRA defende a implementação de diversas medidas, como:

  • Promoção de ações educativas e campanhas de conscientização: É fundamental que a sociedade como um todo seja sensibilizada para a importância de respeitar a diversidade e combater o preconceito.
  • Cotas para pessoas trans nas universidades: O acesso à educação é fundamental para garantir a autonomia e a emancipação das pessoas trans.
  • Protocolos para escolas: É preciso capacitar os profissionais da educação para lidar com casos de violência transfóbica nas escolas.
  • Assegurar o nome social e a identidade de gênero: Garantir o direito ao nome social e à identidade de gênero é fundamental para garantir a dignidade e a cidadania das pessoas trans.
  • Contratação e formação de profissionais trans: A presença de profissionais trans em diversos setores da sociedade é fundamental para garantir a representatividade e a promoção de políticas públicas mais eficazes.
  • Capacitação de agentes da segurança pública: É preciso que os agentes de segurança pública sejam capacitados para lidar com casos de violência contra pessoas trans, com respeito e sensibilidade.
  • Linha específica de atendimento na assistência social: A criação de uma linha específica de atendimento para pessoas trans na assistência social é fundamental para garantir o acesso a serviços essenciais.

Um chamado à ação

O dossiê da ANTRA é um chamado à ação para que a sociedade civil, o governo e as instituições se unam no combate à violência contra pessoas trans. É preciso garantir que todas as pessoas tenham o direito de viver com segurança e dignidade, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

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