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Política

Fim da escala 6×1: Projeto aprovado pela Câmara dos Deputados foi encabeçado por uma travesti

Câmara dos Deputados aprova PEC que reduz jornada de trabalho para 40 horas; proposta segue para o Senado após votação histórica.

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (27), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas. O avanço da pauta representa uma vitória histórica para os direitos trabalhistas no Brasil. O principal projeto aprovado pela Câmara dos Deputados nos últimos anos foi encabeçado por uma travesti, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), cuja proposta de autoria uniu-se à do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) para mobilizar o debate nacional.

O nome de Erika chegou a ficar entre os assuntos mais comentados do X, antigo Twitter. E em discurso a parlamentar afirma que a comunidade LGBTQIA+ é uma grande protagonista pela aprovação do projeto.

A matéria foi aprovada com ampla maioria em dois turnos: 472 votos a 22 no primeiro, e 461 a 19 no segundo. Para a aprovação de uma PEC, eram necessários os votos de pelo menos 308 deputados. Agora, o texto segue para o Senado Federal, onde precisará do aval de 49 senadores, também em dois turnos. Ainda não há data definida para a nova votação.

Tramitação célere e consenso político

Antes de chegar ao plenário, o texto passou por uma comissão especial na Câmara na mesma quarta-feira, onde o parecer do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), foi aprovado por 34 votos a 4 — apenas as bancadas do PL e do Novo votaram contra.

A velocidade da tramitação contou com a articulação direta do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que convocou sessões extras para acelerar os prazos de emendas. Embora os projetos originais de Erika Hilton e Reginaldo Lopes previssem uma redução mais drástica para 36 horas semanais, o acordo político final fixou o limite em 40 horas com duas folgas semanais.

O que muda na prática? Conheça as regras da PEC

A deputada Federal Erika Hilton pelo fim da escala 6x1. (Foto: Reprodução/Instagram)
A deputada Federal Erika Hilton pelo fim da escala 6×1. (Foto: Reprodução/Instagram)

A proposta altera o capítulo dos Direitos e Garantias Fundamentais da Constituição Federal. Confira os pontos principais:

  • Nova jornada máxima: Limite de 8 horas diárias e 40 horas semanais.
  • Fim da escala 6×1: Garantia de pelo menos duas folgas semanais, sendo uma delas preferencialmente aos domingos. O trabalhador deve gozar de pelo menos um dia de descanso dentro do período máximo de uma semana.
  • Prazo para as folgas: O modelo de duas folgas semanais entra em vigor 60 dias após a promulgação da PEC.
  • Acordos coletivos: Passados os 60 dias da promulgação, convenções e acordos coletivos incompatíveis com as novas regras perdem a validade automaticamente, forçando novas negociações entre sindicatos e empresas.

Como será a transição da carga horária?

Para atender aos pedidos de empresários e confederações patronais por tempo de adequação, a redução das 4 horas na jornada será gradativa, ocorrendo em até 14 meses da seguinte forma:

Etapa de TransiçãoPrazo de ImplementaçãoNova Carga Horária
1ª EtapaAté 2 meses após a promulgaçãoRedução de 2 horas (42h semanais)
2ª EtapaAté 12 meses após a primeira reduçãoRedução de mais 2 horas (40h semanais)

Exceções: Quem fica de fora da nova regra?

A regra da nova jornada não é universal. O texto exclui profissionais que cumprem cumulativamente dois requisitos:

  1. Possuem diploma de nível superior.
  2. Recebem remuneração a partir de duas vezes e meia o teto do INSS (aproximadamente R$ 21,1 mil atualmente).

Para esta categoria de alta renda, não serão aplicadas as regras de jornada e controle de ponto. A justificativa dos parlamentares para a exclusão é o combate à “pejotização” e a garantia de maior liberdade de contratação para esses profissionais.

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