
O empresário goiano Leandro Batista Nóbrega, proprietário do Frigorífico Goiás e conhecido nacionalmente pela “Picanha de Bolsonaro”, está no centro de uma denúncia na Polícia Civil. Uma mulher trans de identidade preservada — que utiliza o nome fictício Aline* — acusa o empresário de transfobia, calote e ameaças de morte.
Segundo informações do site Metrópoles, o caso foi registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) no dia 15 de junho, poucas horas após o encontro entre os dois. Leandro, que soma mais de 3,4 milhões de seguidores nas redes sociais, é figura influente entre lideranças da direita e do cenário sertanejo.
Entenda o início da discussão no apartamento
Aline*, que atua como acompanhante de luxo, relatou no boletim de ocorrência que o empresário já mantinha contato com ela desde 2024. Após trocas de mensagens via WhatsApp, um encontro foi agendado no apartamento da profissional por volta das 13h.

De acordo com o depoimento, o desentendimento começou por conta do tipo de serviço sexual que o empresário pretendia contratar:
“Leandro não ficou contente, pois queria ser passivo, e a declarante disse que não fazia ativo”, registra o documento policial.
Ao sair do banho, Aline* reconheceu o empresário devido à sua forte presença digital e o questionou sobre o contraste entre sua vida privada e as publicações transfóbicas que ele costuma compartilhar na internet.
Registro em vídeo e acusação de ameaça
A discussão evoluiu rapidamente. Acompanhante filmou parte do bate-boca, onde confronta Leandro sobre o comportamento de políticos aliados em relação à comunidade LGBTQIA+. No vídeo, ela dispara: “Vocês colocam esse fetiche na cabeça de vocês, tratam a gente como homem (…) e não querem que a gente use banheiro das mulheres”.
De acordo com o relato de Aline* à polícia:
- Tentativa de suborno: Após o conflito, o empresário teria oferecido dinheiro para que as imagens não fossem expostas.
- Recusa e acusação: A jovem recusou o valor e afirmou que jamais chantageou o investigado.
- Ameaça verbal: Diante da negativa, Leandro teria passado a acusá-la de extorsão e feito a seguinte declaração: “Eu tenho dinheiro. Eu mando fazer o que eu quiser com você”.
Histórico de polêmicas e publicações transfóbicas
Leandro Batista Nóbrega ganhou projeção nacional associando sua marca a pautas de extrema-direita. Ele já foi alvo de decisões judiciais no passado por fixar uma placa em seu estabelecimento com a frase “Petista aqui não é bem-vindo”.
Nas redes sociais, o empresário costuma comercializar carnes com as imagens de figuras como Jair Bolsonaro e Donald Trump, além de frequentemente compartilhar ataques a parlamentares trans, como as deputadas federais Erika Hilton (PSol-SP) e Duda Salabert (PSB-MG). Em uma das ocasiões, Leandro referiu-se a Erika Hilton utilizando um nome morto de forma pejorativa.
O espaço segue aberto para manifestações por parte de Leandro Batista Nóbrega e da defesa do Frigorífico Goiás, que até o momento não retornaram os contatos e bloquearam a reportagem nas redes sociais.





