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Política

Deputado transfóbico diz que tira “a tapa” deputada trans se usar banheiro feminino

Douglas Garcia fez discurso de ódio transfóbico na Alesp.

O deputado Douglas Garcia (PSL) fez um discurso transfóbico na Alesp. (Foto: Reprodução/Facebook)
O deputado Douglas Garcia (PSL) fez um discurso transfóbico na Alesp. (Foto: Reprodução/Facebook)
“Se um homem que se acha mulher entrar no banheiro em que estiver minha mãe ou minha irmã, tiro o homem de lá a tapa e depois chamo a polícia”, disse o deputado estadual Douglas Garcia (PSL) hoje à colega Erica Malunguinho (PSOL), em sessão plenária hoje na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Erica é a primeira parlamentar transexual a ocupar uma cadeira na Casa.

A frase foi dita depois de a deputada argumentar contra o Projeto de Lei 346/2019, de autoria do deputado Altair Moraes (PRB), que “estabelece o sexo biológico como o único critério para definição do gênero de competidores em partidas esportivas oficiais no estado de São Paulo”.

A deputada Janaina Paschoal repreendeu o colega de bancada e prestou solidariedade em nome do PSL a Erica.

“A gente pode defender as ideias de uma maneira mais cautelosa, de uma forma mais cortês. Nós assumimos o compromisso, como bancada, de conversar com o colega”, disse Janaina.

Depois de algum tempo, Douglas Garcia pediu a palavra e se retratou. “Eu gostaria de pedir desculpas caso as palavras que eu tenha proferido hoje tenham ofendido alguém”, disse.

“Desculpas não reparam mortes”

Após o pedido de retratação de Douglas, Malunguinho acusou o deputado de “incitação ao ódio”.

“Discursos como o que você proferiu nesse plenário matam vidas todos os dias. Você legitimou as práticas de violência que acontecem constantemente em relação à comunidade LGBT”, disse ao deputado.

“Desculpas não apagam o sentimento e a construção dos seus valores, que eu sei que estão nesse lugar.”

A deputada  Erica Malunguinho classificou o posicionamento como "uma manifestação de caráter transfóbico e discriminatório". (Foto: Reprodução/Facebook)
A deputada Erica Malunguinho classificou o posicionamento como “uma manifestação de caráter transfóbico e discriminatório”. (Foto: Reprodução/Facebook)

Nascida em Pernambuco e vive em São Paulo há cerca de 16 anos, Erica tem 37 anos e foi eleita com 55.223 votos. A deputada se apresenta como militante das causas do “povo preto, indígena, lgbtqia+ e periférico”, que “foram historicamente apagados das narrativas de cidadania”.

Douglas Garcia tem 25 anos e está em seu primeiro mandato. Ele é cofundador do movimento Direita São Paulo, que “luta pelos valores conservadores: família, pátria, liberdade econômica e respeito às Forças Armadas”, e morador da favela de Americanópolis, zona sul da capital.

O PSOL afirma que vai mover uma representação contra o parlamentar no Conselho de Ética e pede e cassação do mandato dele por quebra de decoro parlamentar.

No Facebook, a deputada classificou o posicionamento “uma manifestação de caráter transfóbico e discriminatório, a ser enquadrado, de acordo com o regimento interno, como quebra de decoro parlamentar, que pode resultar em perda do mandato”. Ainda segundo o publicado, Erica “não aceitará quaisquer declarações que incitem crimes de ódio e entrará com as medidas cabíveis contra a postura do parlamentar”.

O reportagem entrou em contato com Douglas Garcia, mas ainda não teve retorno.

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