Deputadas que contestam Erika Hilton na Comissão da Mulher votaram contra igualdade salarial
Parlamentares que alegam "falta de legitimidade" na presidência da primeira deputada trans no colegiado figuram na lista das que rejeitaram direitos para mulheres.

A eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher — a primeira mulher trans a ocupar o cargo — gerou uma reação imediata da ala conservadora. No entanto, um levantamento dos registros de votação da Casa revela um contraponto político: grande parte das parlamentares que hoje tentam anular a posse de Hilton votou contra o projeto de lei que garante paridade salarial entre gêneros no Brasil.
Recurso tenta anular eleição de Erika Hilton
Liderado pela deputada Chris Tonietto (PL-RJ), um grupo de 20 parlamentares protocolou um recurso junto à Presidência da Câmara para invalidar a vitória de Hilton. O argumento central é de ordem regimental: alegam que, como houve apenas uma chapa e 12 votos foram em branco contra 10 favoráveis na primeira rodada, a eleição não teria alcançado maioria absoluta.
Chris Tonietto afirma que o voto em branco foi a única forma de expressar a “falta de concordância” com a candidatura de Hilton. Por outro lado, Erika Hilton reforçou em seu discurso de posse que sua gestão será pautada pela pluralidade, afirmando que “mulheres trans e travestis não serão abandonadas nessa discussão”.
O Contraponto: Votos contra os direitos das mulheres
Enquanto o grupo de oposição alega defender a “legitimidade democrática” da comissão, os registros do plenário mostram um distanciamento de pautas históricas do movimento feminista. No projeto de lei de paridade salarial (PL 1085/23), dez deputadas votaram contra a proposta que pune empresas que pagam salários menores a mulheres que exercem a mesma função que homens.
Lista das deputadas que votaram contra a Igualdade Salarial:
| Deputada | Partido | Estado |
| Chris Tonietto | PL | RJ |
| Bia Kicis | PL | DF |
| Carla Zambelli | PL | SP |
| Julia Zanatta | PL | SC |
| Caroline de Toni | PL | SC |
| Silvia Waiãpi | PL | AP |
| Rosangela Moro | União | SP |
| Dani Cunha | União | RJ |
| Adriana Ventura | Novo | SP |
| Any Ortiz | Cidadania | RS |
O impacto da desigualdade salarial no Brasil
O projeto de lei em questão, de autoria do Executivo, altera a CLT para tornar a paridade uma obrigatoriedade fiscalizada, prevendo multas de até dez vezes o valor do salário devido em caso de discriminação.
Atualmente, os dados do IBGE e do Ministério do Trabalho mostram um cenário de desigualdade profunda:
- População: Mulheres compõem mais de 51% dos brasileiros.
- Renda: Recebem, em média, apenas 77% do salário masculino.
- Exemplo prático: Em funções idênticas onde um homem recebe R$ 2.555, uma mulher recebe cerca de R$ 1.985.
Próximos passos
O recurso contra a eleição de Erika Hilton aguarda análise do presidente da Câmara. O embate na Comissão da Mulher sinaliza que a gestão de Hilton enfrentará uma oposição que, embora use o regimento como escudo, mantém um histórico de votos divergentes das demandas de proteção econômica das mulheres brasileiras.





