CLDF celebra o Mês do Orgulho LGBTQIA+ com sessão solene e homenagens

Evento liderado por Fábio Felix destaca avanços históricos, combate à "cura gay" e os desafios para o futuro da comunidade no Distrito Federal.

CLDF homenageia lideranças e reforça compromisso com os direitos da população LGBTI+ no Distrito Federal. (Foto: João Pedro Carvalho/Agência CLDF)
CLDF homenageia lideranças e reforça compromisso com os direitos da população LGBTI+ no Distrito Federal. (Foto: João Pedro Carvalho/Agência CLDF)

Em celebração ao Mês do Orgulho LGBTQIA+, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizou, na sexta-feira (26), uma sessão solene com o tema “Orgulho LGBTI+ transformando a História no Distrito Federal”. O evento reuniu parlamentares, ativistas, artistas e representantes da sociedade civil para homenagear pessoas que se destacam na promoção e defesa dos direitos da população LGBTQIA+ em Brasília.

Durante a cerimônia, foram entregues moções de louvor a lideranças reconhecidas pela atuação em favor da cidadania, da inclusão e do combate à discriminação. A sessão também serviu como espaço para reflexões sobre os avanços conquistados e os desafios ainda enfrentados pela comunidade.

CLDF homenageia lideranças e reforça compromisso com os direitos da população LGBTI+ no Distrito Federal. (Foto: Andressa Anholete / Agência CLDF)

Autor da iniciativa e presidente da Comissão de Direitos Humanos da CLDF, o deputado distrital Fábio Felix (Psol) destacou o papel da representatividade política na conquista de direitos. Primeiro parlamentar assumidamente gay eleito para a Câmara Legislativa e deputado distrital mais votado da história do Distrito Federal, ele afirmou que a ocupação desses espaços fortalece a democracia e amplia a visibilidade da população LGBTQIA+.

“Quando ocupamos esses espaços a gente dá um recado de que queremos estar em todos os lugares e que para o armário a gente não vai voltar mais”, declarou.

CLDF homenageia lideranças e reforça compromisso com os direitos da população LGBTI+ no Distrito Federal. (Foto: João Pedro Carvalho/Agência CLDF)

O parlamentar também lembrou a aprovação da lei de sua autoria que proíbe, no Distrito Federal, as chamadas terapias de conversão sexual, popularmente conhecidas como “cura gay”. Segundo ele, a aprovação da proposta demonstrou a capacidade de diálogo e construção de consensos em defesa dos direitos humanos.

“Quando a gente convence os inimigos políticos, a gente mostra que conseguiu um feito, a gente conseguiu fazer a diferença”, afirmou.

A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) ressaltou que a representatividade da população LGBTQIA+ é essencial para o fortalecimento da democracia, da liberdade e da cidadania. Para a parlamentar, a luta por direitos está diretamente ligada à construção de uma sociedade mais igualitária.

Deputada federal Érika Kokay. (Fotos: João Pedro Carvalho/Agência CLDF)

“É em nome do amor, do afeto, da liberdade e dos direitos que estamos nesta Casa, mais uma vez, comemorando o Dia do Orgulho e homenageando quem constrói, em vários espaços, os direitos a serem assegurados a todas as pessoas.”

Representatividade fortalece a democracia

A produtora cultural e artista da cena ballroom Gabrielle Paju destacou que uma democracia sólida depende da inclusão das populações historicamente marginalizadas nas decisões políticas e sociais.

“Uma democracia verdadeiramente forte é aquela em que a população mais vulnerabilizada não é apenas objeto de políticas públicas, mas protagonista dessa construção.”

Ela também defendeu a ampliação da presença de pessoas LGBTQIA+ em espaços de poder.

“Que possamos seguir construindo um DF e um Brasil onde travestis, pessoas trans, lésbicas, gays e bissexuais não apenas sobrevivam, mas ocupem plenamente todos os espaços de poder, cidadania e futuro.”

Na mesma linha, a coordenadora da Comissão de Direitos Humanos da CLDF, Keka Bagno, afirmou que o fortalecimento da representatividade tem incentivado mais pessoas LGBTQIA+ a denunciarem casos de violência e discriminação.

Segundo ela, os avanços obtidos nos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário são resultado da mobilização histórica da comunidade.

Futuro, envelhecimento e direitos ainda preocupam

Pikineia, drag queen e comunicadora. (Foto: João Pedro Carvalho/Agência CLDF)

A drag queen e comunicadora Pikineia chamou atenção para um tema ainda pouco debatido: o envelhecimento da população LGBTQIA+.

“Como vai ser a nossa velhice? Já é difícil para uma pessoa heterossexual, imagina para nós, LGBTs, para pessoas transgênero. O amanhã a gente precisa fazer hoje.”

Michel Platini, presidente do Grupo Estruturação LGBT+ de Brasília. (Foto: João Pedro Carvalho/Agência CLDF)

O presidente do Grupo Estruturação LGBT+ de BrasíliaMichel Platini, afirmou que a realização da sessão solene na Câmara Legislativa simboliza uma importante conquista da comunidade.

“Estar aqui nessa tribuna, na Câmara Legislativa da capital do Brasil, falando em nome da comunidade LGBT+, já é, por si só, uma vitória.”

Apesar dos avanços, ele reforçou que ainda é necessário lutar por direitos fundamentais, como viver sem violência, constituir família, estudar, trabalhar e envelhecer com dignidade.

Já o artista visual, cantor e compositor Paulo Amaro destacou os desafios enfrentados por artistas LGBTQIA+ das periferias.

“Ser um artista, bicha, que vem de uma quebrada, é um grande afrontamento ao sistema da arte.”

Origem do Mês do Orgulho LGBTQIA+

CLDF homenageia lideranças e reforça compromisso com os direitos da população LGBTI+ no Distrito Federal. (Foto: João Pedro Carvalho/Agência CLDF)

O Mês do Orgulho LGBTQIA+ é celebrado internacionalmente em junho em referência à Revolta de Stonewall, ocorrida em 28 de junho de 1969, em Nova York, nos Estados Unidos. O episódio marcou uma série de manifestações contra a repressão policial a frequentadores do bar Stonewall Inn e tornou-se um dos principais símbolos da luta mundial pelos direitos da população LGBTQIA+.

A sessão solene realizada na Câmara Legislativa reforçou a importância da memória histórica do movimento, da ampliação da representatividade e da continuidade das políticas públicas voltadas à promoção da igualdade, do respeito à diversidade e da garantia dos direitos humanos no Distrito Federal.

Sair da versão mobile