São Paulo

Jornalista que cometeu homofobia firma acordo e pagará R$ 120 mil

Adriana Ramos de Oliveira confessou crime de injúria contra quatro homens e terá de cumprir medidas educativas e doações.

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Jornalista que ofendeu gays faz acordo para indenizar vítimas. (Foto: Reprodução)
Jornalista que ofendeu gays faz acordo para indenizar vítimas. (Foto: Reprodução)

A jornalista Adriana Catarina Ramos de Oliveira, de 62 anos, assinou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para evitar um processo criminal por injúria homofóbica. O acordo, homologado pela Justiça no dia 3 de junho, foi firmado após a profissional ofender quatro homens em episódios distintos no ano passado.

Com a assinatura do termo, a jornalista confessa formalmente o crime. O descumprimento de qualquer uma das cláusulas pode fazer com que o Ministério Público reabra o caso e apresente uma denúncia formal à Justiça. A defesa de Adriana informou que não irá se manifestar.

Indenizações e doações somam R$ 120 mil

O documento estabelece sanções financeiras e obrigações sociais para a jornalista, divididas da seguinte forma:

  • Pagamento às vítimas: R$ 15 mil para cada um dos quatro homens ofendidos, totalizando R$ 60 mil em indenizações diretas.
  • Doações institucionais: Entrega de pelo menos R$ 60 mil em kits para a Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual da Prefeitura de São Paulo.

O MP-SP exigiu que as doações sejam divididas em três tipos de conjuntos: itens de higiene, materiais escolares e perucas.

Cursos de conscientização e grupo reflexivo

Além do impacto financeiro, o acordo foca na reeducação da jornalista através de medidas pedagógicas obrigatórias:

  1. Cursos sobre homofobia: Adriana deverá assistir a dois cursos (um online e um presencial) sobre o combate à homofobia. Ela precisará gravar um vídeo resumindo o aprendizado de cada aula.
  2. Grupo reflexivo: A jornalista terá de participar de um grupo reflexivo nos cursos de psicologia da PUC-SP ou da Universidade Presbiteriana Mackenzie, visando a conscientização e compreensão da gravidade de sua conduta.

Relembre os ataques homofóbicos

Os insultos que motivaram a ação ocorreram em duas ocasiões na capital paulista:

  • Shopping Iguatemi (Zona Sul): Em 14 de julho do ano passado, Adriana foi filmada chamando um homem de “pobre” e “bicha nojenta” em uma cafeteria. Mesmo com a intervenção da segurança, ela disparou: “Você está pensando que a Polícia Militar é o quê? (…) Segurança particular de boiola?”. Ela chegou a ser presa em flagrante, mas foi solta na audiência de custódia.
  • Condomínio em Higienópolis: Dias depois, em 16 de julho, a jornalista cruzou com três homens no saguão do prédio onde morava. Gravações feitas pelas vítimas mostram Adriana chamando-os de “boiolas” e “gaiola das loucas”.

Histórico de saúde e carreira: Adriana Ramos de Oliveira nasceu em Campinas (SP), formou-se pela PUC-Campinas e teve passagens marcantes pela TV Globo, TV Cultura e Record. A jornalista enfrenta transtorno de bipolaridade há mais de 20 anos e possui histórico de internações psiquiátricas — a última delas, de cinco meses, ocorreu logo após os episódios. Atualmente, ela passa por um processo de interdição e tem seus recursos financeiros administrados por uma curadora profissional.

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