Dono de frigorífico da ‘Picanha Bolsonaro’ é acusado de calote e ameaça por acompanhante trans

Aliado de Jair Bolsonaro, Leandro Batista Nóbrega teria se desentendido com profissional após divergência sobre serviço contratado; caso foi parar na polícia.

Empresário do 'Frigorífico Goiás' é acusado de transfobia e ameaça por acompanhante trans. (Foto: Reprodução/Instagram)
Empresário do ‘Frigorífico Goiás’ é acusado de transfobia e ameaça por acompanhante trans. (Foto: Reprodução/Instagram)

O empresário goiano Leandro Batista Nóbrega, proprietário do Frigorífico Goiás e conhecido nacionalmente pela “Picanha de Bolsonaro”, está no centro de uma denúncia na Polícia Civil. Uma mulher trans de identidade preservada — que utiliza o nome fictício Aline* — acusa o empresário de transfobia, calote e ameaças de morte.

Segundo informações do site Metrópoles, o caso foi registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) no dia 15 de junho, poucas horas após o encontro entre os dois. Leandro, que soma mais de 3,4 milhões de seguidores nas redes sociais, é figura influente entre lideranças da direita e do cenário sertanejo.

Entenda o início da discussão no apartamento

Aline*, que atua como acompanhante de luxo, relatou no boletim de ocorrência que o empresário já mantinha contato com ela desde 2024. Após trocas de mensagens via WhatsApp, um encontro foi agendado no apartamento da profissional por volta das 13h.

De acordo com o depoimento, o desentendimento começou por conta do tipo de serviço sexual que o empresário pretendia contratar:

“Leandro não ficou contente, pois queria ser passivo, e a declarante disse que não fazia ativo”, registra o documento policial.

Ao sair do banho, Aline* reconheceu o empresário devido à sua forte presença digital e o questionou sobre o contraste entre sua vida privada e as publicações transfóbicas que ele costuma compartilhar na internet.

Registro em vídeo e acusação de ameaça

A discussão evoluiu rapidamente. Acompanhante filmou parte do bate-boca, onde confronta Leandro sobre o comportamento de políticos aliados em relação à comunidade LGBTQIA+. No vídeo, ela dispara: “Vocês colocam esse fetiche na cabeça de vocês, tratam a gente como homem (…) e não querem que a gente use banheiro das mulheres”.

De acordo com o relato de Aline* à polícia:

Histórico de polêmicas e publicações transfóbicas

Leandro Batista Nóbrega ganhou projeção nacional associando sua marca a pautas de extrema-direita. Ele já foi alvo de decisões judiciais no passado por fixar uma placa em seu estabelecimento com a frase “Petista aqui não é bem-vindo”.

Nas redes sociais, o empresário costuma comercializar carnes com as imagens de figuras como Jair Bolsonaro e Donald Trump, além de frequentemente compartilhar ataques a parlamentares trans, como as deputadas federais Erika Hilton (PSol-SP) e Duda Salabert (PSB-MG). Em uma das ocasiões, Leandro referiu-se a Erika Hilton utilizando um nome morto de forma pejorativa.

O espaço segue aberto para manifestações por parte de Leandro Batista Nóbrega e da defesa do Frigorífico Goiás, que até o momento não retornaram os contatos e bloquearam a reportagem nas redes sociais.

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