
O clima é de decisão dentro e fora das quadras. Na noite desta sexta-feira (16), o Osasco Vôlei enfrenta o Praia Clube pela Supercopa, mas a presença de uma de suas principais jogadoras virou caso de Justiça. A oposta Tifanny Abreu e o clube osasquense acionaram a Justiça Desportiva e a Justiça comum para tentar garantir a participação da atleta no confronto de hoje e na edição 2026/27 da Superliga, que começa na próxima semana.
A mobilização jurídica ocorre após a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) aceitar as inscrições de todo o elenco do Osasco, mantendo pendente apenas o registro de Tifanny.
Batalha nos Tribunais: Entenda as Liminares
A defesa da jogadora e do Osasco Vôlei ingressou com um mandado de garantia junto ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) pedindo uma liminar para assegurar o direito de atuação da atleta enquanto o processo é analisado de forma definitiva.
- Negativa Inicial: No fim da manhã desta sexta-feira, a Justiça Desportiva negou a liminar requerida.
- Recurso e Justiça Comum: Diante da negativa, a assessoria jurídica recorreu ao Tribunal Pleno do STJD e acionou simultaneamente a Justiça comum.
- Posição da CBV: A entidade informou estar ciente da movimentação jurídica, mas aguarda notificação oficial para se posicionar.
O advogado do caso, Luis Fernando Novaes, ressalta que o pedido se respalda em garantias constitucionais e no histórico da atleta no clube:
“A Constituição Federal diz que uma nova norma não pode revogar o direito que ela tem de exercer sua profissão, o que ela vinha fazendo há tantos anos. Ela participou das competições que garantiram o lugar do Osasco na Supercopa, diante disso, é direito da atleta que contribuiu com a campanha estar disputando o campeonato.”
A defesa também destacou que apresentou exames, estudos técnicos e laudos científicos que asseguravam a participação de Tifanny nas competições nacionais há cinco anos. Novaes lamentou a falta de diálogo da federação, classificando o ato como “uma canetada de um dia para o outro”.
O Impacto da Nova Regra da CBV em Atletas Trans

A instabilidade na carreira de Tifanny decorre da alteração promovida pela CBV no mês de agosto. A entidade adotou a diretriz do Comitê Olímpico Internacional (COI) para elegibilidade na categoria feminina, exigindo teste genético negativo para o gene SRY (associado ao desenvolvimento biológico masculino).
Primeira mulher abertamente transgênero a atuar na elite do vôlei brasileiro, a atleta de 41 anos disputa a Superliga desde 2017 e defende o Osasco há seis temporadas.
A decisão da confederação gerou forte comoção e apoio dentro do esporte. Atletas de destaque, como Gabi Guimarães, capitã da seleção brasileira feminina, manifestaram-se publicamente contra a nova política da CBV, defendendo o direito de Tifanny de permanecer nas quadras.
“Quero me aposentar com dignidade, não expulsa”
Mesmo sob incerteza, Tifanny ajudou o Osasco a conquistar o 19º título do Campeonato Paulista na última terça-feira, ao derrotar o Sesi-Bauru. Emocionada, ela destacou o desejo de encerrar a trajetória no esporte por mérito e não por exclusão.
No evento de lançamento da Superliga 2026/27, a jogadora fez um desabafo marcante sobre o momento difícil que enfrenta:
“Quero terminar a minha carreira de atleta com o pé direito, digna de uma aposentadoria, digna de falar eu comecei, eu terminei, eu inspirei e agora vou começar a ajudar outras pessoas fora de quadra. Não assim expulsa, não assim proibida, jogada na sarjeta como se nada tivesse acontecido.”
Em suas redes sociais, a oposta reforçou que continuará lutando para encerrar o ciclo profissional dentro das quadras:
“O esporte sempre foi a minha vida. E acredito profundamente que ele deve ser um espaço de respeito, inclusão, oportunidades e igualdade para todas as pessoas. Essa conquista também representa a força de quem segue lutando para existir, pertencer e ser respeitada. Não vou desistir!”





